Apesar da tradição nacional na produção de algumas frutas, como uva, maçã e banana - inclusive em algumas áreas pontuais do Paraná - o que se percebe é a falta de competitividade delas no cenário internacional. O levantamento realizado pelo Cepea aponta alguns fatores representativos que colocam a competitividade lá embaixo, quando o momento seria de buscar novos compradores mundo afora.

No caso da uva, por exemplo, a receita de exportação é de US$ 66 milhões no País, o que nos coloca na ínfima 16ª posição de comercialização. O volume representa apenas 1% do negociado no mundo, sem espaço para a uva do Vale do São Francisco (BA/PE) e muito menos para a do Norte do Paraná.

Além da Itália e Grécia, fortes na produção, no segundo semestre - em que o Brasil teoricamente teria um espaço - entram outros players como Peru, Turquia e Namíbia fornecendo uva de qualidade para a União Europeia. Nos Estados Unidos, a janela para o produto nacional também está pequena, já que Califórnia e México têm prolongado a safra. O lado positivo é que o Brasil começa a entender o calendário de exportação e, aos poucos, busca um aumento de competitividade.

Já a banana, forte no município de Novo Itacolomi no Estado, fomenta exportações na casa de US$ 18 milhões, sendo o Brasil - apesar de ser o 4º maior produtor - apenas o 34º maior exportador global. O grande desafio em prospectar mercado está em enfrentar grandes empresas multinacionais (algumas produzindo o produto) em países da América Central. Com escala produtiva gigantesca e baixos custos logísticos, elas conseguem levar a banana a preços bem atraentes para todo o planeta. As frutas brasileiras também não conseguem manter o mesmo padrão das frutas da América Central, caso do Equador.

No caso da maçã, mais forte em Santa Catarina, a participação é baixa na pauta de exportação, totalizando apenas US$ 43 milhões (28º no ranking). O mercado interno também acaba absorvendo maior parte da produção da fruta. Em poucos casos, houve espaço para o Brasil dar as caras pelo mundo, principalmente quando houve quebra de safra. Um dos maiores problemas é que a produção da fruta é forte tanto no hemisfério Norte como no Sul.

A janela de venda, por exemplo, é bem restrita. No primeiro semestre, os principais concorrentes são Nova Zelândia, Chile, África do Sul e Argentina, sempre em busca do mercado europeu. Vale ressaltar que a Nova Zelândia é a principal fornecedora do produto na UE. (Reportagem Local)

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