Daqui a alguns anos o consumidor deverá comprar na farmárcia medicamentos que foram produzidos a partir do leite de uma vaca clonada. A pesquisa está sendo desenvolvida pelo Centro Nacional de Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em Brasília (DF). O objetivo é reduzir os custos na produção de remédios e torná-los mais acessíveis à população, informa Elíbio Rech um dos pesquisadores do projeto.
Pelo leite é possível obter quilos de proteína/ano por animal, numa produção em larga escala da proteína de interesse a um custo baixo, garante Rech. Segundo ele, a redução será de 10 até 100 vezes no custo de produção dos remédios. O percentual vai depender do medicamento.
Combate ao câncer
Com o uso da Biotecnolgia e da Engenharia Genética os pesquisadores já conseguiram clonar animais e deverão agora incluir no gene desses clones as proteínas necessárias que mais tarde serão utilizadas na formulação de certos medicamentos.
As primeiras proteínas que estarão no leite do gado clonado serão de anticorpos usados no combate ao câncer: a antripsina. Os consumidores não beberão o leite com essas proteínas mas elas serão extraídas e processadas em laboratório para uso medicinal. O leite das vacas servirá de veículo para a produção de proteínas por isso os animais estão sendo chamados de biofábricas.
Segundo Elíbio Rech será possível produzir no leite proteínas que vão gerar anticorpos para combater diversos problemas da saúde humana, entre eles os anticacerígenos, fatores de controle de coagulação, hormônios de crescimento e outros. Num certo ponto do projeto, segundo Rech, será possível produzir moléculas específicas para cada tipo de problema.
Interesse mundial
Segundo o pesquisador o uso de vegetais como ''biofábricas'' para produção de remédios já é relativamente comum em diversos países. Com animais, no entanto, existem apenas ''quatro a cinco empresas baseadas na Escócia e Estados Unidos que estão trabalhando em projetos semelhantes.'' O Brasil, segundo ele, é um dos únicos países do mundo que também está pesquisando a produção de proteínas no leite para uso medicinal. ''Já dominamos várias etapas como a de construção genética das células para produzir a proteína via glândula mamária e estamos na etapa da transformação nuclear. A seguir virá a etapa da purificação do leite.''
Uma empresa da Escócia, segundo Rech, em parceria com o Instituto Roslin da Escócia responsável pela clonagem da ovelha Dolly em 1997, criou uma ovelha geneticamente modificada com objetivo de obter no leite justamente uma das proteínas que a Embrapa deverá produzir: a alfa-antripsina.
A proteína foi testada em pacientes com fibrose cística, uma doença que obstrui pulmões, intestinos e canais biliares. A proteína pelo leite de vacas transgênicas, de acordo com os cientistas, pode ajudar a atenuar os sintomas da doença, melhorando a qualidade de vida dos pacientes.

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