Uso de tecnologia reduz riscos
Cláudia Barberato
Se o produtor quer plantar a safrinha no ano que vem, não deverá atrasar muito o plantio da soja na próxima safra de verão, que começa no Paraná por volta de setembro. As boas condições climáticas este ano, durante a safrinha do milho, estimularam a cultura de obteve bons rendimentos. Empresas produtoras de híbridos, de olho no avanço da cultura, estão apostando, para o ano que vem, num incremento da área e maior investimento em materiais produtivos, além de adoção de mais tecnologia na lavoura.
Hoje a safrinha está consolidada e é possível, com tecnologia, reduzir os riscos de produção, afirma o agrônomo José Rocha Junior, da Zeneca Brasil. A empresa fez na semana passada um dia de campo em Sertanópolis, a 40 quilômetros de Londrina, para mostrar os novos híbridos para a safrinha do ano que vem. O evento reuniu, segundo Rocha, 300 agricultores de toda a região norte.
Escolha do produtorSegundo o agrônomo, hoje o mercado dispõe de híbridos adaptados para a safrinha com uso de baixa, média ou alta tecnologia, como queira o agricultor. De acordo com a data de plantio, pode-se escolher híbridos que demandam de baixa a alta tecnologia. A recomendação técnica é para que o plantio da safrinha seja feito a partir de fevereiro até a primeira quinzena de março, com uso de boa tecnologia, o que garantirá maior rendimento e menor risco para a lavoura.
Neste período (fevereiro/março), de acordo com o agrônomo Alexandre Zamboni, também da Zeneca, o agricultor pode usar híbridos de melhor potencial produtivo, mas terá que aplicar também uma boa tecnologia de cultivo, como adubação, manejo de pragas, entre outros.
A partir de março já terá que escolher híbridos de ciclo mais precoce e uso de média tecnologia, para minimizar os riscos da lavoura. Plantando em fevereiro/março o produtor poderá aproveitar as condições ambientais mais favoráveis e ter mais segurança para investir em tecnologias.
Plantar no cedo A programação de cultivo do milho safrinha, para o ano 2000, alertam os agrônomos, começa agora. O produtor deve programar-se desde o verão; partindo da época de plantio da soja, com uso de variedades mais precoces a fim de antecipar a colheita (da soja) e plantar o milho safrinha mais cedo.
O plantio do milho safrinha no final de março representa um risco de não ter rendimentos e não pagar os custos, que são grandes, garante Zamboni. A escolha dos híbridos é fundamental, mas é preciso respeitar o período indicado do plantio, reforça Rocha. Segundo ele, os materiais têm que ser tolerantes a doenças e resistentes a veranicos e, para isto, devem proporcionar plantas com bom sistema radicular nas condições de solo. Tem que ser um híbrido capaz de responder a tecnologia aplicada.
Os agrônomos aconselham que os produtores fiquem alertas aos híbridos hoje disponíveis no mercado e que já foram utilizados em outras safras e as novidades. O híbrido deve ser de potencial produtivo, resistente à doenças, que produza bons grãos; não suscetíveis ao acamamento e quebramento, entre outras características.
Plantio escalonado Uma boa estratégia é plantar 30% em fevereiro, 60% no começo de março e o restante da área até o final da primeira quinzena também do mês de março. O escalonamento também deve ser feito de acordo com os híbridos que existem no mercado, escolhendo dos mais precoces até os de ciclo normal, afirma Rocha. Não há porque pegar um híbrido de baixo potencial produtivo, por exemplo, e plantar no final da estação recomendada, porque os custos serão muito altos e inviabilizarão a lavoura, continua Rocha.
A demora no plantio, na espera de tendências de mercado, também é arriscada, avaliam os agrônomos. Com o passar dos dias há declínio da umidade do solo, chove menos e as lavouras poderão ser prejudicadas. O atraso pode inviabilizar o cultivo da safrinha. É preciso antecipar o plantio para aproveitar a época de adubação nitrogenada e maior aumento de produção da planta. Se plantar em final de março é provável que não se tenha condições ambientais para fazer a adubação de cobertura, por exemplo, explica Zamboni.
Outra medida para o bom rendimento da safrinha é fazer, logo no início, o controle de pragas, principalmente de lagartas e percevejos. O produtor deve consultar um agrônomo para realizar o manejo e avaliar a necessidade de aplicação para controle de pragas.
Cada cultivar pede uma tecnologia. Em plantas de boas condições, com ervas daninhas controladas, o produtor deverá fazer uma adubação adequada e, principalmente nos primeiros plantios, usar uma adubação de cobertura com uréia para complementar a nitrogenada. Muitos produtores hoje nem usam essa adubação para economizar, o que é um erro, alerta Zamboni.
Os agrônomos consideram que uma das maiores vantagens do cultivo do milho safrinha é a colheita numa época de maior demanda e até falta do produto. Por isso há condições de preços muito satisfatórios para o milho safrinha. E as condições do Paraná são um privilégio, melhor do que nos Cerrados. Este ano houve seca nas regiões produtoras (Alta Mogiana) dos Cerrados, que prejudicou o desenvolvimento das lavouras e, no Paraná, a seca foi menos severa.
Progamação antecipada O produtor pode começar a se programar em outubro/novembro quando vai fazer a escolha das variedades de soja. Em fevereiro poderá fazer a dessecação da soja, antes da colheita, para já iniciar o plantio do milho safrinha, aconselha Rocha.
Quando a colheita da soja é feita sem dessecar, afirma Rocha, será necessário um manejo da área para controle de ervas daninhas, antes de um novo plantio. Fazendo a dessecação há economia no manejo e nos custos. A operação, segundo os agrônomos, antecipa o plantio da safrinha em até 20 dias.
A dessecação da soja serve como manejo prévio para a erva daninha da futura lavoura de milho. Além de antecipar a colheita, a dessecação, segundo Rocha, proporciona menor umidade nos grãos e impurezas. A dessecação é feita com uma pulverização química quando a soja atinge o seu ponto de maturação fisiológica.O plantio do milho safrinha do próximo ano deve ser planejado agora, quando se decide a hora de semear a soja
Dorico da SilvaCautela Produtores devem observar bem os híbridos disponíveis para o cultivo da safrinhaO agrônomo Rocha mostrou as novidades de sua empresa para agricultores em dia de campo





