Uso de fosfatos na medida certa
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sexta-feira, 09 de junho de 2000
Da Redação 
Pesquisadores da Embrapa Gado de Corte, de Campo Grande (MS), estão alertando para os cuidados a serem tomados no uso de fosfatos na alimentação animal. O alerta está sendo feito devido à liberação, feita pelo Ministério da Agricultura, para o uso de fosfatos não tradicionais como os de rocha e o superfosfato triplo.
De acordo com os pesquisadores, há necessidade de controlar as matérias-primas que serão usadas no preparo das misturas e buscar orientação técnica. Existe o perigo de substituição indevida de componentes. Recentemente, a Secretaria de Apoio Rural e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, em instrução normativa, especificou as formas de preparo e uso das formulações contendo fosfatos.
De um modo geral, as pastagens brasileiras são deficientes em fósforo. Essa deficiência provoca perda de peso e redução na produção de vacas de cria. O gado pode receber esse elemento ao consumir misturas minerais balanceadas, contendo fosfatos o mais comum é o bicálcio.
Cuidados no usoFosfatos como os de rocha (tapira, de Pato e de Araxá) podem ser utilizados em certas situações, como na terminação em confinamento, mas são potencialmente tóxicos, especialmente para animais jovens e vacas de cria. Eles contêm mais baixa quantidade de fósforo disponível ao gado se comparado às fontes tradicionais, e alta taxa de flúor.
O flúor é toxico para os bovinos e afeta, principalmente, os ossos e dentes do animal. Em médio e longo prazos, o efeito dessa acumulação de flúor pode se manifestar por lesões nas áreas afetadas, manqueira, fraturas e diminuição do consumo de alimentos, causando a perda de peso do animal. Para que o gado coma uma quantidade suficiente de mistura, para suprir suas necessidades, ela deve estar bem balanceada e ser consumida nas quantidades adequadas.
Mistura balanceadaO Ministério da Agricultura determinou os teores máximos e mínimos dos fosfatos alternativos utilizados nas misturas de sais mineralizados e exigiu que esses limites fossem mostrados em rótulos ou etiquetas dos produtos, junto com a indicação de uso adequado, as precauções e as restrições.
Tanto no superfosfato triplo quanto nos fosfatos de rocha, a umidade não pode ultrapassar o teor máximo de 7%. A dosagem de cálcio deve ser de até 16% no supertriplo e de 20% nos fosfatos de rocha. O teor mínimo de fósforo nos fosfatos de rocha deve ser de 9% e a dosagem de flúor não pode ultrapassar 1,5%.
No caso do supertriplo, o teor de fósforo não deve baixar de 20% e o de flúor não pode ultrapassar a 0,7% da composição do produto. O Ministério da Agricultura recomenda também que os rótulos e etiquetas dos fosfatos de rocha devem chamar a atenção para o fato de que o produto não seja utilizado como fonte inorgânica exclusiva para alimentação animal. Outra recomendação é conter a informação de que o produto não deve ser dado a aves, suínos, bovinos de leite e para formulações de suplementos proteinados.
Orientação de consumoO fosfato de rocha pode substituir uma parte de outras fontes de fósforo, mas não pode fornecer mais do que 30% do fósforo (inorgânico) da mistura final. A mistura mineral pronta para consumo não deve exceder o limite de 2 mil mg de flúor/kg do produto.
Recomenda-se para novilhas o máximo de 40 ppm (parte por milhão) de flúor na matéria-seca da dieta. Isso equivale ao consumo de 40 mg de flúor por kg de matéria-seca que a novilha consome. Em média, o consumo diário é de 2 a 2,5% do peso vivo em matéria-seca. Dessa maneira uma novilha de 400 kg (comendo cerca de 8 kg de matéria-seca) poderia comer até 320 mg de flúor/dia sem prejuízos à produção. Esse nível de consumo de flúor já pode causar lesões patológicas, como fluorose dentária.
Segundo informações da Embrapa Gado de Corte, em suplementos proteinados, com ingestão de até 500g/cabeça/dia, o risco do animal ingerir flúor em excesso é mais alto. Há relatos de fluorose dentária e manqueira em bovinos adultos, na África do Sul, associadas ao provável consumo de 223 a 510 g/cabeça/dia de suplemento com 1.400mg de flúor/kg.
Comportamento alteradoUm dos sintomas da carência de fósforo na alimentação do gado é o chamado apetite depravado, que leva o bovino a comer, lamber ou roer couro, tendões, ligamentos, carne e ossos de cadáveres em estado de putrefação. O animal pode ingerir outros materias estranhos a sua dieta como terra, pedra, madeira, borracha e plástico, entre outros, encontrados nas pastagens.
O apetite depravado dos bovinos, de acordo com os pesquisadores da Embrapa Gado Corte, torna o animal mais suscetível a contrair doenças, como o botulismo, que é provocado por toxinas de bactérias frenquentemente presentes em matéria orgânica em decomposição.


