Uso de bagaço pode reduzir custos na produção de leite
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 06 de setembro de 2002
Cláudia Barberato<br> Reportagem Local 
O criador de gado de leite de Jaguapitã (46 km ao norte de Londrina), Elpídio Brasil Bozo, ainda não tem os números finais da economia que poderá ter com o uso do bagaço de laranja in natura, misturado a silagem, na dieta do seu rebanho leiteiro. Esse será o primeiro ano que estará usando o resíduo durante toda a safra e entressafra do leite.
Mesmo assim, está entusiasmado, com o uso do resíduo que, segundo ele, poderá reduzir custos de produção, além de representar uma alternativa de alimento no inverno, quando os pastos têm pouca produção de massa verde a ofertar aos animais.
Com o uso do bagaço, segundo o produtor, é possível também preservar áreas de pastos para que a rebrota, no final do ano, venha vigorosa.
Elpídio conta que a compra do bagaço foi uma opção ''para ter um volumoso para dar rebanho, com custo mais acessível.''
O bagaço foi adicionado à dieta dos animais desde o final do ano passado e é comprado da usina de sucos de laranja da Cooperativa Agrícola de Rolândia (Corol), da qual Bozo é associado.
O pecuarista produz 1.800 litros de leite por dia, entregues no entreposto da Vigor, em Santo Inácio, pelos quais recebe R$ 0,40 por litro. O rebanho tem 130 vacas em lactação de um total de 160 vacas entre as que estão produzindo, as fêmeas em final de lactação e as próximas de parir.
Durante o verão os animais são criados a pasto e recebem apenas sal mineral. Apenas as vacas em lactação recebem ração especial no cocho na hora da ordenha. ''Para os tempos de pastos menos verdes'', conta o produtor, ''preparo silagem e tem também uma área de pastoreio com aveia.''
No início da experiência com o bagaço para alimentar os animais o produtor utilizou uma porção menor do novo alimento para que as vacas pudessem adaptar-se ao sabor. Hoje, segundo ele, quando o funcionário da fazenda chega com a carroça cheia as vacas disputam um lugar no cocho. O rebanho já recebe 50% de cada um dos alimentos. O consumo diário do bagaço in natura é de 21,56 kg/dia/por cabeça. Já a silagem fica em 10,31 kg/dia/cabeça. Para as vacas em produção o criador fornece ração concentrada, na base de um quilo para cada três litros de leite produzidos.
O bagaço in natura é também fornecido aos bezerros e novilhas. Serve também como fonte de alimento para os carneiros (120 cabeças), que Elpídio cria para consumo da família e venda a conhecidos.


