Apesar de ser uma fruta muito saborosa e rica em vitamina C, sais minerais e ferro, o morango não está sendo visto ‘‘com bons olhos’’ por muitas pessoas. É que a fruta é conhecida como uma das que mais recebe aplicações de agrotóxico durante o cultivo, por ser alvo fácil de doenças e pragas.
O preconceito existe, mas segundo o técnico da Emater, Carlindo Bizzani, os produtores estão mais conscientes. Os 30 produtores de Londrina que trabalham com a cultura estão fazendo o uso racional de agrotóxico em suas lavouras. ‘‘Isso tem diminuido em muito o volume de veneno pulverizado’’.
Bizzani acompanha a produção de morangos do município há 4 anos. E, segundo ele, o uso abusivo de veneno já não acontece. ‘‘Nosso produtor agora é tecnificado e investe no monitoramento para o sucesso da lavoura’’. Ele conta que a utilização de tecnologias, como mudas sadias e resistentes a doenças e pragas (adquiridas em viveiros certificados) adubação correta e espaçamento adequado, tem possibilitado a redução significativa do uso de agrotóxico.
ComercializaçãoOs agricultores estão sentindo de perto o problema. O produtor César Aparecido Masiero, 25 anos, trabalha com morango há três anos. Ele é um dos agricultores que estão comercializando parte da produção na Feira de Produtos de Época - promovida pela Secretaria Municipal da Agricultura e do Abastecimento (SMAA), em parceria com produtores e Emater. Masiero conta que é comum perder oportunidade de venda por causa dos agrotóxicos. ‘‘Muitas pessoas perguntam se eu uso e dizem que não comem morango por causa do veneno. Elas olham, mas não levam’’, disse. Mesmo assim, ele está satisfeito com o volume de vendas na sua barraca - cerca de 90 quilos por dia.
A Emater tem orientado para a utilização apenas de produtos registrados. Os produtores devem também respeitar o período de carência. ‘‘A aplicação não é feita de forma preventiva. Só quando aparece algum sintoma. Mesmo porque o agrotóxico aumenta em muito o custo de produção’’, disse Bizzani.
Safra recordeA perspectiva da SMAA e da Emater é que essa seja uma das maiores safras da fruta. Foram cultivados 12 hectares no município. Segundo Bizzani, os primeiros levantamentos apontam para uma produção de cerca de 25 toneladas por hectare. Ou seja, Londrina vai produzir aproximadamente 300 toneladas de morango.
Esse volume é 125% maior que a produção do ano passado, que ficou em torno de 120 toneladas. Bizzani explica que isso aconteceu por causa do aumento de área cultivada e de produtividade.
A comercialização de grande parte do produto está sendo feita através da Feira de Produtos de Época que acontece diariamente na Praça Floriano Peixoto e no Terminal Urbano de Londrina. A Feira, que funciona das 11 às 18 horas, começou no dia 22 de julho e permanece até o final da safra.
O diretor de Abastecimento da SMAA, Valmor Venturini, informou que a expectativa é de que sejam vendidas diariamente uma tonelada de morangos. Na opinião dele, os preços estão bastante acessíveis. ‘‘Por causa da produção elevada, os preços estão menores. É a lei da oferta e da procura’’. Cada embalagem com cerca de 370 gramas de morangos está sendo comercializada por R$ 1,00. Na compra de quatro unidades, o preço cai para R$ 0,75 cada. Na Feira são comercializados também produtos derivados de morango, como geléias, tortas, doces e sucos.
Apesar do volume produzido, o mercado londrinense não é auto-suficiente. Venturini conta que essa produção atende menos de 50% da demanda do município. ‘‘Mas se considerarmos que há cinco anos praticamente todo o produto ofertado vinha de fora, Londrina teve um importante avanço’’, argumentou.

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