Uso correto de plantas medicinais
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 16 de maio de 1997
Cristina Côrtes 
RemédioA peroba é uma das espécies nativas da região que não têm sua função medicinal muito conhecidaPesquisa feita pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) reúne informações científicas e referência popular, para tornar mais eficiente a utilização de plantas medicinais. A professora Emante Regina Mikuckis Juraitis, do Departamento de Biologia Aninal e Vegetal, coordenou o trabalho Levantamento e Identificação de Plantas Portadoras de Princípios Ativos nas Microbacias do Rio Tibagi.
Segundo Emante, o objetivo é esclarecer a população sobre as diversas maneiras de uso das plantas nativas da região e portanto mais acessíveis, para se alcançar o máximo de efeito terapêutico de cada espécie.
Como a fonte principal de informações sobre uso está na cultura popular, a pesquisa foi iniciada por entrevistas com 500 famílias, de diversas idades, classes sociais e culturais no município de Londrina (Baixo Tibagi), dividindo a área em cinco grandes regiões.
A professora Emante Juraitis coordena as pesquisas com plantas medicionais na UEL
ResultadosA pesquisa perguntava que tipo de remédio a pessoa buscava quando estava doente. Se usava alguma planta medicinal, qual, de que forma usava e para que servia. O estudo etnobotânico comparou informações sobre a forma de uso das ervas medicinais com outras pesquisas já realizadas. As respostas, segundo a professora, coincidiam com a informação científica da maioria das plantas.Na maioria dos casos a cultura do povo, passada de geração em geração, é uma das melhores referências para quem pesquisa planta medicinal, mas é preciso um trabalho científico, porque também se cometem erros.
Ao contrário do que se esperava, a região central da cidade foi a que apresentou a maior variedade de plantas medicinais (176 espécies). Segundo a professora, acredita-se que esse maior número seja consequência da população ser muito heterogênea, e da existência de bairros antigos (por exemplo, Vila Brasil), com habitantes de origem rural, que talvez por isso mantenham maior contato com o uso de plantas medicinais.
Foto: Marcos BorgesA pata-de-vaca é facilmente identificada pelas características de suas folhas
Quanto ao nível escolar verificou-se que a maioria dos usuário de plantas medicinais estão nos extremos: são analfabetos ou de nível superior. A faixa etária que usa mais frequentemente é a partir dos quarenta anos. As plantas mais utilizadas são boldo, hortelã, capim-cidreira, quebra-pedra e erva-doce.
RiscosApesar dos progressos da ciência e do surgimento de grandes laboratórios farmacêuticos, ainda é grande o número de pessoas que utilizam as plantas medicinais para curar seus males. Estima-se que 75% da população mundial façam uso de tratamento fitoterápico.
A maior dificuldade para realização do trabalho, e que também oferece mais risco para os usuários de plantas medicinais, é o fato de que uma mesma planta recebe nomes bem diferentes, numa mesma localidade.O levantamento feito na região de Londrina mostrou que em áreas muito próximas as pessoas de origens diferentes chamam a mesma planta de forma diversa, e isto pode oferecer risco para quem usa.
A professora explica também que a mesma planta, manipulada de maneira diferente, pode ter efeitos contrários. O exemplo mais conhecido é o confrei, que não pode ser tomado porque é cangerígeno, mas pode ser usado externamente como cataplasma, comenta.
A professora recomenda em seu trabalho que as pessoas devem procurar saber em primeiro lugar as características da planta que será usada e qual a sua finalidade correta. Não se deve usar planta desconhecida. Depois é importante observar as condições da planta (presença de fungos, insetos e/ou terra) antes de usar. Saber a parte da planta que é indicada.
A lantana é uma planta altamente tóxica para animais e seres humanos
Outro alerta é sobre a localização das plantas. Não se deve utilizar espécies plantadas nas margens de estradas, ruas e indústrias, por causa dos agentes poluidores.Nunca utilizar misturas de plantas sem a orientação de um profissional de saúde. Chá medicinal não é refresco - diz Emante -; é medicamento e não deve haver exageros na dose.
LantanaUma planta bastante conhecida é a lantana, usada como planta ornamental, e também considerada medicinal até l992, quando era até comercializada em herbanários e farmácias naturais. Ela era recomendada como remédio para doenças respiratórias.
Depois de pesquisa realizada na tese de doutoramento da professora Emante, ficou comprovado que era altamente tóxica. Ela ataca o fígado e pode causar até a morte devido ao seu efeito cumulativo. Sua comercialização foi proibida e ela foi retirada dos pontos de venda.
A lantana é encontrada também em pastos, e se ingerida pelos animais também causa problemas de fígado e doenças como icterícia, e pode transmitir a doença para o ser humano através do consumo do leite.


