Usinas negam ''fuga'' de álcool
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sexta-feira, 02 de agosto de 2002
Lucinéia Parra<br>Equipe da Folha 
Maringá - ''Não tem a menor necessidade de o governo criar um novo imposto porque nós somos os mais interessados em manter os nossos clientes no mercado interno e regular o abastecimento''. A declaração é do superintendente da Associação dos Produtores de Álcool do Estado do Paraná (Alcoopar), Adriano da Silva Dias sobre a pretensão do governo federal em criar um imposto parecido com o Cide - Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - para evitar a fuga da produção de álcool para o açúcar em decorrência da alta do dólar.
Adriano Dias cita os números de produção nacional de álcool para justificar a pretensão dos produtores em não abandonar o mercado interno e diz que o aumento na exportação de açúcar só vai ocorrer se houver excedente na produção.
''Temos uma mercado interno que consome hoje 11 bilhões de litros de álcool carburado e 8 milhões de toneladas de açúcar, não tem cabimento o governo pensar que vamos desprezar estes clientes para se aproveitar de uma situação que é momentânea'', acredita Dias.
Segundo ele, a alta do dólar torna mais atrativo a venda para o mercado externo, e no caso dos usineiros, o produto em potencial seria o açucar e não o álcool. ''Que o mercado exterior se tornou bastante interessante, é inquestionável, mas pensar que vamos ignorar os nossos clientes internos é um despropósito total'', ratifica. Segundo ele, nenhum produtor, em plena consciência, vai trocar ''o certo pelo duvidoso''.
Outro argumento do representante da agroindústria sucroalcooleira paranaense é que ''só o Paraná produz anualmente 1,1 bilhão de litros de álcool carburado, o que corresponde a 10% da produção nacional. A capacidade industrial instalada entretanto é de 1,5 a 1,6 bilhões de álcool. Segundo ele, os usineiros mantém a discussão em diversos países para expandir o mercado externo. ''Temos inúmeros projetos sendo discutido lá fora para tentarmos expandir o mercado de álcool, mas isso não quer dizer que vamos abandonar ou deixar de vender para os nossos clientes do Brasil'', assegura.
Dias afirma que entende a preocupação do governo mas assegura que a criação de um novo imposto é desnecessário. Ele diz que os usineiros de todo país querem sim o comprometimento do governo para criação de estoque regulador.
Segundo ele, o próprio Cide, que foi criado em 1991, é recolhido dos usineiros para financiar a recuperação de estradas, para subsidiar o óleo diesel e também para ajudar os plantadores de cana do Nordeste. Além disso, parte do imposto também deveria ser usado pelo governo para financiar os estoques estratégicos de álcool.
''Só que por enquanto o governo ainda não tem estoques estratégicos e é isso que estamos reivindicando'', afirmou. Segundo ele, os produtores têm custos elevados para manter os estoques reguladores, uma vez que a produção só ocorre a cada cinco meses. ''Já que o governo recolhe este imposto dos produtores com a finalidade de criar os estoques estratégicos, só o que queremos é que ele cumpra esta finalidade'', justifica Dias. Um dos fatores que encarece a produção de álcool e açucar, conforme Dias é o pagamento de seguros das safras que são armazenadas atualmente pelos próprios produtores.


