Usinas não desanimam e seguem investindo
Não se abatendo com as dificuldades do setor, algumas usinas do Paraná não desanimam e continuam investindo. A Renuka Vale do Ivaí, localizada no município de São Pedro do Ivaí, é uma delas. Só nesta safra, a empresa deverá produzir 2,9 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, 550 mil a mais do que na safra anterior. ''Fizemos investimentos em renovação para ampliarmos a produção. Esperamos a melhor safra da história'', comemora Paulo Adalberto Zanetti, presidente da Renuka. Ao todo, a empresa possui uma área total de 32 mil hectares de cana plantada, sendo 28 mil só de propriedade da empresa.
Especializada no mercado de açúcar, o grupo indiano espera produzir do produto neste ano 255 mil t, 90 mil a mais do que na safra 2011/12. Em etanol, o volume estimado de produção para este ano é de 60 milhões de litros, ante 66 milhões da safra anterior. A queda na produção de etanol, avalia Zanetti, não deve afetar as perspectivas da empresa, já que 70% da cana-de-açúcar processada na Renuka é voltada para o açúcar, que hoje chega a ser comercializada pela usina a R$ 60 a tonelada. Zanetti completa que, a esse preço, os custos de produção são facilmente cobertos. ''Quem se especializou na produção de bioenergia está tendo mais dificuldades, mas o mercado de açúcar segue remunerando bem'', assinala o presidente.
Zanetti destaca que os preços congelados da gasolina é um dos principais fatores de perda de competitividade do etanol. Já o preço do açúcar, sublinha ele, é balizado de acordo com a oferta e demanda do mercado. O presidente da Renuka reclama que produzir ambos os produtos tem sido cada vez mais caro. ''De 2008 a 2012, os custos de produção, levando em conta salários de funcionários, insumos, entre outros, subiu em torno de 40%'', desabafa.
O presidente acrescenta que o anúncio de incentivos à renovação e ampliação dos canaviais é bem-vindo, mas reclama que há muita dificuldade para acessar esses financiamentos. Segundo ele, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), não repassa diretamente os recursos para o setor, mas sim por meio de agentes financeiros. ''Esses órgãos exigem muitas garantias. A burocracia é muito grande e às vezes demora muito''. Zanetti explica que o custo de investimento de partida em um canavial é de R$ 5 mil por hectare. (R.M)





