Usinas produtoras de açúcar estão investindo R$ 20 milhões na construção de um terminal portuário em Paranaguá para exportarem a partir de abril do próximo ano cerca de 800 mil toneladas do produto. A falta de disponibilidade no porto, por causa do excesso de grãos nos silos, levou nove grupos a criarem a Paraná Operações Portuárias S/A (Pasa). É o primeiro terminal próprio para açúcar em granel no Paraná.
Segundo o diretor presidente da Pasa, Paulo Meneguetti, para a conquista do espaço, as usinas participaram de uma concorrência junto a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa). Meneguetti lembra que nos últimos tempos, a exportação de açúcar ficou complicada porque as usinas não estavam mais podendo contar com os terminais, geralmente abarrotados com grãos e farelos. ''A grande produção de soja aumentou ainda mais a demanda dos terminais'', diz Meneguetti. O açúcar paranaense é exportado para o Leste Europeu, parte da Ásia e Oriente Médio.
Vantagens
O diretor presidente explica que a grande vantagem do terminal próprio, além da disponibilidade efetiva, será a redução dos custos. Hoje, as operadoras cobram pela elevação - recebimento do produto e colocação no navio - US$ 14 por tonelada. Com a Pasa, o custo de elevação portuária deve ficar entre US$ 7 e US$ 8 por tonelada. ''A princípio o terminal será somente dos acionistas da Pasa, mas é possível que no futuro a empresa preste serviços para outras usinas'', afirma Meneguetti.
A produção em grande escala é recente no Estado. Em 1994, existiam apenas quatro usinas dedicadas ao açúcar. De importador, abastecido principalmente por São Paulo, o Paraná passou para um Estado com excedente do produto. O novo ''status'', obrigou as usinas a buscarem mercados alternativos e neste caminho acabaram descobrindo a vocação para produzirem o açúcar VHP (Very High Polarization).
Apesar de ser considerada uma matéria prima de menor valor, o açúcar VHP tem garantia de livre comércio no exterior. Em média, a tonelada do VHP é comercializada por US$ 150 enquanto a tonelada do açúcar refinado fica em US$ 240.
Mais escuro
O VHP é um produto a granel mais escuro por causa da maior presença do mel. Além disso, é uma matéria prima ideal para exportação, porque os países importadores costumam, na proteção de indústrias nacionais, estabelecer barreiras na entrada do açúcar branco.
Até o dia 1º de novembro, as usinas paranaenses já haviam produzido 89% do total de 1.355 milhão de toneladas de açúcar estimados para este ano. Segundo o superintendente da Associação dos Produtores de Açúcar e Álcool do Paraná (Alcopar), Adriano da Silva Dias, a produção não deve ultrapassar as estimativas iniciais da entidade. O total vai ser um pouco menor que a safra 99/00 que alcançou 1,4 milhão de toneladas de açúcar, mas ainda bem superior aos números do ano passado, quando a geada reduziu a produção para 997 mil toneladas.
Em todo o Estado, são 297 mil hectares de cana-de-açúcar destinados à industrialização e 28 usinas em funcionamento. Destas unidades, 17 produzem açúcar e álcool e a demais somente álcool. Conforme Dias, do total produzido de açúcar, um milhão de toneladas são destinados para a venda no exterior. Na região de Maringá, estão as usinas com maior potencial exportador. Só a Usina de Açúcar Santa Terezinha, localizada no distrito de Iguatemi, é responsável pela exportação de 400 mil toneladas.
O Paraná é o segundo maior produtor de açúcar atrás somente de São Paulo que produz o equivalente a 60% da safra brasileira prevista este ano em mais de 16 milhões de toneladas do produto. As estimativas de exportação brasileira devem fechar este ano em torno de 8 milhões de toneladas. Conforme a Alcopar, as exportações paranaenses representam 12,5% da produção do estados do centro-sul do país destinada à venda. A produção do Nordeste vigora em período diferenciado, com safra entre setembro a agosto.

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