As previsões do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) para a safra brasileria de soja em 2004, divulgadas esta semana, foram criticadas por alguns analistas de mercado do Brasil que não concordam com os números.
''Os gringos não iriam querer passar pelo vexame de reduzir a estimativa da safra brasileira das 61 milhões de toneladas projetadas em fevereiro para 56 milhões ou 57 milhões de t no relatório divulgado na quarta-feira'', comentou Fernando Muraro, da Agência Rural, de Curitiba.
Dentro do esperado, o conservador Usda prevê que a safra brasileira vai ficar em 59,5 milhões de t. ''Só rindo'', ironiza Fernando Muraro. Já para a Argentina, o órgão manteve a estimativa nas mesmas 36,5 milhões de t de fevereiro. Para a China, o Usda reduziu a projeção de importação de 23 milhões para 21,5 milhões de t. No ano passado, os chineses compraram 16,5 milhões de t do grão.
Dentro do quadro de oferta e demanda mundial, também conhecido pelo samba ''me engana que eu gosto'', a safra mundial é estimada em 199 milhões de t, para um consumo projetado em 202 milhões de t. Com isso, os estoques mundiais são agora estimados em 35,9 milhões de t, contra 39,3 milhões de t em março do ano passado.
Ainda neste mesmo quadro, outro dado relevante, talvez o mais interessante do relatório, diz respetio às exportações mundiais. De fevereiro para março, o USDA diminuiu a estimativa de 67,32 milhões para 64,92 milhões de t, sendo que no ano passado elas foram estimadas em 62,11 milhões, em 2002, em 53,62 milhões de t. Estaria o USDA subestimando o comércio internacional? - pergunta o analista.
No quadro de ofertas e demanda dos EUA - espaço conhecido como ''corta aqui e ajeita ali'' -, o USDA reduziu as exportações de 24,49 milhões para 24,22 milhões de t e incrementou o esmagamento para 39,9 milhões de t. Todavia, os estoques deles continuam em 3,4 milhões de t, ou seja, os menores dos últimos 27 anos, conclui Muraro.
O mercado na semana - As cotações da soja no mercado futuro da Bolsa de Chicago estão sendo balizadas pelas especulações em cima das perdas da safra brasileira. Números do Deral e de empresas de consultoria repercutem na Chicago Board of Trade (CBOT).
Geralmente um dia de alta é seguido de queda em face da oferta de papéis dos grandes fundos de commodities para realização de lucro.
''A realização de lucros foi o principal motivo da queda na quarta-feira, uma vez que o relatório de oferta e demanda mundial do USDA registrou queda da produção brasileira e redução dos estoques mundiais'', informou esta semana a FNP. O contrato com vencimento para maio encerrou o pregão de quarta cotado a US$ 9,235/bushel (US$ 20,36/sc).
De acordo com o relatório de oferta e demanda mundial de março referente ao mês de fevereiro divulgado, a demanda de soja grão dos Estados Unidos em 2003 subiu 0,6% para 43,24 milhões de t, enquanto que a previsão de exportação daquele país foi revista para baixo para 24,22 milhões de t, abrindo desta forma uma lacuna de 270 mil t no comércio internacional.
Com relação ao Brasil, o relatório apontou para uma conservadora redução da safra 2003/04 para 59,50 milhões de t, ante 61 projetado anteriormente. ''Muito provavelmente haverá uma nova redução deste item no próximo relatório a ser divulgados em abril, pois ficou superestimado mais uma vez apesar da diminuição'', diz a FNP. O esmagamento brasileiro foi aumentado para 32 milhões de t (variação de 1,2%), enquanto que as exportações brasileiras subiram para 26,70 milhões de t tendo estabelecido desta forma, o Brasil como principal país exportador de soja em grão no mundo com 40% do market share.
Apesar de o governo argentino admitir que houve perdas de 0,9% da área plantada com soja - assim como também foi constatado redução da produtividade naquele país devido ao clima quente e seco -, a estimativa de produção da Argentina elaborada pelo USDA em fevereiro de 36,50 milhões de t ficou inalterada neste mais recente relatório, sendo bastante provável acompanharmos uma revisão no próximo relatório.
O estoque mundial de passagem sofreu queda de 4,2%, e apontou um volume de 35,88 milhões de t, Quanto aos números referentes à safra 2002/03, teoricamente encerra-se o período com uma relação entre estoque final e consumo em torno de 20,6%. Os números divulgados apontaram para uma maior queda nesta relação na safra 2003/04, indicando uma relação de 17,8%.

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