Preços bons acompanhando uma boa produção aquecem o mercado de máquinas agrícolas. Nas revendas a procura não se limita aos produtos novos, há sempre alguém que busca um equipamento mais novo, mas nem sempre a troca se dá por uma máquina zero quilômetro. O resultado econômico da lavoura aumenta a oferta de máquinas usadas que entram na negociação quando os produtores compram equipamentos novos.
Diretor comercial de uma revenda de máquinas agrícolas em Maringá, Régis Edson Mazzardo afirma que existe procura pelos dois tipos de negócio. ''Produtores têm o hábito de trocar máquina a cada cinco ou seis anos'', relata. As máquinas substituídas são compradas por quem deseja fazer investimento na propriedade e pretende gastar menos.
O mercado de usados atende não somente pequenos produtores. De acordo com Mazzardo, um trator usado em bom estado pode ser comprado para tarefas mais simples como fazer uma pulverização, ''puxar'' uma carreta ou transportar a alimentação para o gado. O bom momento da agricultura facilita os negócios. ''Com mil sacos de soja é possível comprar um bom trator'', afirma.
Flávio Milton de Miranda, gerente de vendas de máquinas usadas de uma concessionária no interior paulista afirma que a escolha por um equipamento usado independe do poder de compra. ''Mesmo os grandes produtores podem optar por um usado'', informa.
Mazzardo afirma que como a empresa comercializa apenas máquinas novas, não tem dados sobre a venda de usados. Mas estima que este comércio acompanhe o de equipamentos zero quilômetro, que neste ano registrou uma significativa reação. ''Depois da crise dos últimos três anos, estamos percebendo um aumento de 25% nas vendas'', diz.
José Divalsir Gondaski, presidente da Associação Brasileira de Distribuidores da John Deere, estima que o mercado de usados sentirá os reflexos do aquecimento das vendas de novos a partir do segundo semestre deste ano. Ele explica que como os usados entraram como parte da negociação das máquinas zero quilômetro eles serão comercializados quando os produtores procurarem opção para renovação de suas máquinas. Este mercado também será influenciado pela dificuldade que as indústrias terão em atender a demanda provocada pelo aquecimento do mercado de novos.
Mas há quem faça uma avaliação menos otimista do mercado. O empresário Joacir Luiz Concolin, que compra e vende máquinas usadas há 12 anos, afirma que os produtores, principalmente os que possuem entre 50 e 80 alqueires, têm necessidade de adquirir máquinas, mas não estão capitalizados. Segundo ele, a prorrogação do prazo de pagamento das dívidas não foi suficiente para resolver o problema. ''Sei de alguns que estão abandonando a atividade agrícola'', diz.
O produtor Luiz Gonçalves também não se anima muito com as condições disponíveis para a troca dos seus equipamentos. Ele colocou à venda um trator com 15 anos de uso para comprar um mais novo. ''Só consegui repor 10 anos, por causa do custo e da carga tributária'', afirma. Gonçalves calcula que uma máquina usada custe 50% do valor de uma zero quilômetro.
Produtores interessados em adquirir máquinas usadas têm acesso a financiamentos bancários. Tratores podem ter no máximo 10 anos de uso e colhedeiras 8 anos. O financiamento deve ser pago num prazo de quatro anos e os juros dependem da renda do produtor. Para uma renda de R$ 250 mil, os bancos cobram 9,5% e para ganhos inferiores, o custo é de 7,5%. Segundo Gondaski, a disponibilidade do crédito para compra de máquinas usadas é fundamental para a atividade, principalmente dos pequenos produtores.

mockup