Uraí inova na produção de uvas
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sexta-feira, 02 de maio de 2003
Reportage Local 
A tecnologia é de ponta e os produtores são profissionais, mas eles acham que é o solo o grande responsável pelo sabor marcante da uva de Uraí
O Norte e Noroeste do Paraná estão colhendo a safrinha de uva, que vai de abril a agosto. Embora considerada extemporânea, em alguns municípios ela representa entre 90% e 95% da safra principal, de novembro a janeiro.
Em Uraí (26 km a oeste de Cornélio Procópio), a uva fina de mesa passou por muitas transformações. Ao longo dos últimos anos o setor reduziu o número de produtores, aumentou a produtividade, adotou novas variedades e, agora, está consolidando a fama de ''melhor uva de mesa'', uma conquista que os produtores atribuem a vários fatores entre eles: alta tecnologia, experiência do próprio agricultor e uso intensivo de insumos.
Mas há aqueles que vêem nas condições naturais de solo e clima um grande diferencial de qualidade. É o caso do presidente da Associação de Uva de Uraí (Auva), Willians Iwai. ''O solo do município contribui muito para um fruto mais saboroso e mais doce, com alto teor de sacarose'' - 14 graus britx para mais; algumas variedades chegam a 17 graus britx. O segredo também está no solo, que é abençoado, segundo os produtores, chegando a exercer influência sobre sabor e paladar da fruta. Essa imagem positiva da uva de Uraí, está bem caracterizada entre pelo menos duas grandes redes de varejo. Não falta muito para a uva de Uraí virar uma griffe de nome nacional.
A primeira colheita do ano, a colheita do inverno, começa bem, portanto, para os 170 produtores locais, que cultivam 300 ha e esperam produzir 5 milhões de quilos de uva, na soma das duas colheitas. A produtividade é de 3 quilos por metro quadrado na média, com mínimas em torno de 1 kg/m2 e máximas em torno de 4 kg/m2. A uva gera empregos para 1,7 mil pessoas durante o ano inteiro.
O engenheiro agrônomo Jorge Noso, vice-presidente da Associação, considera a safra atual ''uma safra muito boa''. O clima colaborou, a produtividade é alta (média de 3 kg/m2). Em 7 hectares espera uma produção de 140 mil kg. Um rendimento que considerou excelente.
O preço está baixo este ano, mas ainda assim deixa bom lucro para quem tem produtividade. O preço do quilo, pago Rubi, vai de R$ 1,10 a 1,30. Dependendo da produtividade, o custo de produção pode chegar a R$ 0,80/kg.
Como os produtores de Marialva, Bandeirantes e Guaravera, os produtores de Uraí também estão amargando um acentuado nos custos de produção. Alguns insumos tiveram aumento de 50% a 60% em relação à safra passada. Um produto usado na quebra da dormência, que custava R$ 25,00/litro, esta semana foi vendido por R$ 50,00, exatamente o dobro. Um fungicida usado durante todo o ciclo da planta passou de R$ 260,00 para R$ 480,00. Esse fungicida é aplicado de 20 a 25 vezes; 40 kg por hectare.
O produtor Marcos ito, do bairro Seção Serra Morena, acha que o preço atual, embora menor que o do ano passado, deixa margem de lucro satisfatória se o produtor conseguir elevar sua produtividade. Os produtores de uva em geral, não vêem na redução do custo, um fator para fugir das altas dos insumos. Pelo menos no Estado do Paraná, o conceito deles é que a rentabilidade tem que ser mantida via aumento da produtividade - e o consequente aumento do volume de produção. Eles não abrem mão da tecnologia e do uso de insumos. (Segue na página 6).


