Uraí descobre a cebola precoce
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sexta-feira, 05 de agosto de 2005
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Mariana Guerin
Reportagem Local
Abacate, alho, café, feijão, jabuticaba, lichia, macadâmia, milho, pecan, pêra japonesa, pupunha, soja, verduras diversas. O produtor Pedro Ito tem na diversificação a chave para o sucesso de sua propriedade. Mas em meio a tantas opções de cultivo é a cebola que custeia as despesas do sítio.
Há mais de 20 anos cultivando a hortaliça, o agricultor resolveu investir numa variedade precoce para conquistar um mercado dominado pelas cebolas argentinas. Cultivada entre os meses de março e agosto, a cebola chega aos consumidores com dois meses de antecedência, preenchendo o vazio deixado pelo período de entressafra.
Na propriedade de 90 hectares, localizada em Uraí (26 km a oeste de Cornélio Procópio), Ito destinou apenas meio hectare ao cultivo da cebola superex. A lavoura é semeada em fevereiro e as mudas transplantadas uma a uma para o campo a partir de março. Para os processos de plantio e colheita, o produtor calcula o trabalho de até 30 pessoas.
Com o dinheiro dos pequenos cultivos pago os empregados e as demais despesas do sítio, assinala. Na safra passada, Ito obteve um lucro de R$ 10 mil com a comercialização das cebolas. Para esta safra, que está começando a ser colhida, o agricultor espera obter até R$ 1,40/quilo. Toda a produção é vendida no mercado regional entre Cornélio Procópio e Uraí.
A variedade superex produz até 20 mil quilos/hectare explica a engenheira agrônoma da Emater Ernestina Izumi Muraoka, ou Tina como é mais conhecida. Segundo ela, a vantagem está no giro rápido pelos mercados locais. A comercialização acontece somente entre os meses de agosto e setembro, quando ainda não teve início a colheita no Sul do Estado. Não conseguimos competir com a cebola do Sul em termos de qualidade, porque a variedade precoce dá menos tempo de prateleira, ressalta a agrônoma.
Vizinho de Ito, o produtor Osvaldo Kobiraki também investiu no cultivo de cebola precoce para incrementar sua renda. A lavoura é produzida de forma orgânica e, como afirma o agricultor, requer atenção durante todo o ciclo.
Este é o primeiro ano do cultivo da cebola na propriedade que está em transformação do sistema convencional para o orgânico há três anos. A hortaliça conta com uma área de apenas um hectare. O restante do sítio de 78 hectares é cultivado com café, cereais e macadâmia.
A produção é comercializada para uma empresa de Curitiba que assegura o preço estabelecido num contrato de compra. A produtividade, garante Tina, é a mesma da lavoura convencional. As doenças são controladas com caldas fertiprotetoras constituidas por micronutrientes, explica.
De acordo com a agrônoma da Emater, os principais inimigos da cultura são a doença alternária e o inseto tripis. Ela comemora a baixa infestação das lavouras neste ano. Tivemos condições climáticas favoráveis ao sucesso do cultivo, aponta.


