O bambu começa a despertar o interesse do meio acadêmico. Tanto que a cultura é um dos temas de um encontro internacional que a Associação Brasileira de Materiais e de Tecnologia não Convencionais (Abmtenc) promove anualmente. Mais um vez o bambu ocupa parte da programação do Encontro Brasileiro em Madeiras e Estruturas em Madeira, cuja 11 edição será realizada em Londrina, em julho do ano que vem.
O pesquisador Antonio Ludovico Beraldo, da Faculdade de Engenharia Agrícola da Universidade de Campinas (Unicamp), estuda as aplicações de bambu desde 1985, principalmente na construção civil. Ele começou a pesquisar a utilização do material para reforço do concreto com taliscas (lascas) de bambu. Depois disso, Beraldo desenvolveu painéis de tijolos vazados e vara-de-pescar.
A resistência do material inspirou novas pesquisas. ''Atualmente me dedico ao estudo do bambu na forma de partículas para misturar com cimento ou com adesivo orgânico'', explica. Segundo ele, as partículas são obtidas das espécies Dendrocalamus giganteus (bambu gigante), Bambusa vulgaris, Bambusa tuldoides (bambu verde), Phyllostachys aurea (vara-de-pescar) e Guadua angustifolia (bambu colombiano).
As espécies de maior porte são utilizadas na pesquisa sobre laminados colados para uso em movelaria. Beraldo também se dedica ao estudo sobre a vida útil do material. ''Se não for convenientemente tratado, terá a durabilidade reduzida'', explica.
Além desse material, a Unicamp tem na sua coleção algumas espécies de bambus ornamentais: Bambusa ventricosa (barriga de Buda), Shibatae kumasasa, Pleioblastus chino var. elegantissima, Chimonabambusa quadrangularis, (bambu quadrado), além do Bambusa glacilis (o mais usado em paisagismo). O Instituto Agronômico de Campinas (IAC) também possui uma grande coleção de espécies, tanto em Campinas, como em Tatuí (que é a mais completa do Brasil).
O pesquisador explica que alguns bambus têm um ciclo de cinco a dez anos de vida. Depois disso, começa a se degradar. ''Uma coleção de 20 espécies, por exemplo, dá um bom retorno econômico ao investidor'', diz. Beraldo estima que o setor movimenta algo em torno de 15 a 20 milhões de dólares no mundo por ano. Na Colômbia, o bambu é considerado material de primeira grandeza. No Brasil, a maior parte dos bambus não são de origem local e foram trazidos, na época da colonização por europeus e asiáticos. A bambusa é até hoje a espécie mais comum e é bastante encontrada em propriedades agrícolas.

mockup