Única cultura que cresce é o sorgo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 25 de setembro de 1998
Josiane Schulz 
A área destinada ao plantio das culturas de verão deve manter-se a mesma da safra 97/98. A informação é do presidente da Associação Brasileira de Produtores de Sementes e Mudas (Abrasem), Ywao Miyamoto. As principais culturas - soja, milho, arroz e feijão - não terão variação significativa de área no Brasil, somando 23,4 milhões de hectares, conforme dados do IBGE. Segundo Miyamoto a única cultura que vai apresentar um pequeno crescimento é o sorgo.
Utilizada para substituir parcialmente o milho em rações, essa forrageira é pouco expressiva no País. Na safra 95/96, o sorgo ocupou apenas 300 mil hectares em todo o Brasil e produziu 242 mil toneladas. Em duas safras, conforme dados oficiais, a produção da cultura cresceu 70%. A previsão da Conab para esta safra é de 400 mil toneladas. Os produtores, entretanto, estimam uma produção de 1.000 t.
Miyamoto acredita que o sorgo vai ganhar cada vez mais espaço nos campos brasileiros. O atrativo são as características da cultura. Por ser uma planta rústica, a forrageira adapta-se facilmente em qualquer tipo de solo. As práticas de manejo são similares às do milho. Para a safrinha, não há necessidade de nova semeadura. Após a colheita, a planta rebrota, conta.
Para Galli, os juros são altos e os recursos insuficientesSementesNo caso da soja, Miyamoto descartou o risco de haver falta de sementes, provocado pelas chuvas no final do ciclo. Estão disponíveis ao produtor 3,5 milhões de toneladas de sementes. Segundo o presidente da Abrasem, esse volume cobre a área paranaense de soja, que é de aproximadamente 2,7 milhões de hectares. Além disso, as novas cultivares lançadas neste ano são de alta tecnologia e reduzem em cerca de 30% o volume de sementes necessário para a formação da lavoura, diz. Neste ano foram recomendadas pela pesquisa 49 novas cultivares de soja para o Brasil. Dessas, 44 foram desenvolvidas pela Embrapa. Para o Paraná, foram lançadas 12.
Plano de SafraPara Miyamoto, a área vai-se manter também pelo fato do produtor não ter outra opção. É o que a maioria dos agricultores sabe fazer - cultivar grãos. Eles têm tradição. Além disso, esses produtos têm preço mais estável, argumenta. Na sua opinião, é difícil mudar esse quadro, porque o produtor só deixa de investir numa determinada cultura, se ele tiver prejuízos significativos. O produtor pode não aplicar seu dinheiro em estrutura ou equipamentos para garantir sua produção, afirma.
Na avaliação do presidente da Sociedade Rural do Paraná (SRP), Francisco Galli, essa é a situação predominante entre os produtores paranaenses. Os agricultores estão completamente descapitalizados, trabalhando para se manter no negócio agrícola, diz. Galli considera os recursos destinados pelo governo ao Plano de Safra 98/99 insuficientes. São R$10 bilhões para custeio em todo o País. Este volume é 37% maior que o aplicado na safra passada, que foi R$7,3 bilhões. Houve aumento em relação à safra passada, mas nada que chegue próximo do que já foi destinado à agricultura vários anos atrás, argumenta. Desse valor, o Paraná deve receber R$800 milhões. Conforme dados da Superintendência Estadual do Banco do Brasil, já foram liberados cerca de R$430 milhões.
EstratégiasGalli critica a política do governo FHC para a agricultura. Enquanto a agricultura é valorizada na maioria dos países, no Brasil esse é um dos setores mais penalizados, afirma. Os juros dos financiamentos do Plano de Safra são considerados altos pelo ruralista. Para este ano, as taxas foram fixadas em 8,75% para os grandes e médios produtores. Para os pequenos produtores, que utilizam recursos do Pronaf, a taxa permanece em 5,75%. São juros que o valor do produto não acompanha, justifica. Nas atuais condições do setor agrícola, a maioria dos produtores não tem condições de negociar melhores preços para seus produtos. É necessário colher e vender em seguida, para pagar dívidas.
Para o presidente da SRP, o governo deve rever suas políticas e fomentar o desenvolvimento de tecnologias de ponta, mas, ao mesmo tempo, dar condições para que os produtores as utilizem nas lavouras. A criação de mecanismos mais eficazes de proteção para o escoamento e manutenção de estoques reguladores são algumas alternativas apontadas por Galli para melhorar as condições de comercialização. É necessário agir em benefício da produção e ter estratégias eficazes de comercialização, diz.


