União familiar mantem tradição
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sexta-feira, 10 de outubro de 1997
Luiz Taques 
MemóriaHá mais de 50 anos as famílias Belançon e Coatti moram e trabalham na Comunidade Barra Limpa, em RolândiaSó do Tito são seis filhos; o Tio Nico tem quatro; o Donizete, cinco; o Binho também tem cinco e o Alexandre, quatro; mas ainda falta o Almir, o Pedro, a Lourdes...
Geraldo Belançon recorre à memória e à maquininha de calcular para tentar chegar ao número exato de sua numerosa família, que há mais de meio século mora na zona rural de Rolândia. O lugar logo foi batizado de Comunidade Barra Limpa. Se não me esqueci de ninguém, somos 79 pessoas, entre filhos, filhas, netos, genros e noras, acredita Geraldo Belançon, 58 anos, pai de seis filhos.
Geraldo é o mais velho desta família de descendentes italianos, que na década de 40 trocou Birigui (no interior paulista), por Rolândia, onde começaram plantando café e, agora, além do café, do milho, do trigo, também já se tornaram prósperos suinocultores. Hoje, é uma das poucas comunidades rurais do Paraná que ainda resistem, com as famílias trabalhando e morando nas propriedades.
MemóriaAntes de ser batizada de Barra Limpa, a comunidade era conhecida como Nossa Senhora do Rocio. Ao todo, são 16 famílias Belançon vivendo em 40 alqueires, divididos em três sítios: o pertencente a Geraldo e a outros dois irmãos dele, Antônio e João. Mas o povo só se refere mesmo à gente como Comunidade Belançon, salienta Geraldo.
Geraldo Belançon (o senhor de óculos, à esquerda) viu a comunidade nascer e se desenvolver: filhos, netos, noras e genros já chegam hoje a 79 pessoas
O nome Barra Limpa, segundo ele, foi dado em 1971 por um padre de nome Tadeu, da Paróquia do município de Sabáudia. É que nós sempre fomos muitos católicos e tudo o que a Igreja de lá precisa o povo daqui ajuda ou colabora com a maior boa vontade, por isso o padre dizia que a gente era barra limpa, informa Geraldo Belançon.
É com Sabáudia e não com Rolândia (município vizinho e ao qual Barra Limpa pertence), que os moradores da comunidade mantém vínculo. Três exemplos: a maioria dos adultos vota em Sabáudia; os adolescentes vão de ônibus da Prefeitura estudar em Sabáudia; consultas médicas e odontológicas também são feitas em Sabáudia.
União de famíliasGeraldo Belançon conta que a comunidade Barra Limpa também é formada pela família Coatti, que possui outros 40 alqueires na área rural de Rolândia. Rodolfo e Josepina Coatti eram vizinhos dos Belançon (dos irmãos José, Luis, João, Manoel e Antonio) em Birigui. As duas famílias de agricultores estavam desanimadas com a cultura de café em terra paulista quando decidiram tentar a sorte no Paraná.
Em 1945/46 os Coatti e os Belançon venderam tudo o que tinham em Birigui e cada uma das famílias comprou 40 alqueires em Rolândia. Geraldo Belançon estava com sete anos de idade. Ele conta que o pai e os quatros tios tocavam os 40 alqueires coletivamente. Na década de 70, três tios de Geraldo resolveram ir embora, vendendo suas partes para os parentes mais próximos.
José Belançon, pai de Geraldo, morreu em abril deste ano; os tios Luis e Manoel também já morreram. O tio João divide o tempo entre a comunidade e a cidade de Assis, onde tem um outro sitio; o tio Antonio mora por aqui mesmo, explica Geraldo Belançon, que casou-se em 1960 com Maria Geralda.
Josoé de CarvalhoA suinocultura é atualmente uma das principais atividades econômicas dos Belançon
Geraldo e Maria cresceram juntos nessa comunidade rural de Rolândia. Os pais de Maria trabalhavam de porcenteiros para os Belançon. Mas a gente só começou a namorar quando tinha eu tinha 17 anos, lembra Geraldo.
Dois filhos de Geraldo e Maria Belançon são casados com duas primas de terceiro grau. Uma irmã de Geraldo, a Lourdes, é casada com um Coatti. Graças a Deus vivemos bem por aqui, diz, todo satisfeito, Geraldo Belançon.
É da suinocultura que vem a principal fonte de renda da familia de Geraldo Belançon, cujo rebanho ultrapassa a 1.500 animais. Aproximadamente 50 porcos são abatidos todos os dias, com a média de 90 quilos cada um. Começamos com quatro matrizes, agora já temos 180, diz. Mas nós não nos esquecemos do café, pois foi por essa cultura que a família começou, faz questão de dizer. Este ano, Geraldo Belançon plantou 21 mil pés de café; no ano passado, ele já havia plantado outros seis mil pés.


