União do setor é a única solução
Para o consultor Fabiano Tito Rosa, não houve transferência de renda das indústrias para o campo, que absorveu todos os impactos negativos do mercado em 2004. ''A mobilização da cadeia produtiva aliada à manutenção das
exportações e à recuperação da economia interna deverá resultar em melhores
preços para 2006. Mas o produtor precisa controlar os custos e investir naquilo que entende'', explica.
Rubens Ernesto Niederheitmann, coordenador do Programa Paranaense de Produção de Carne e Leite à Base de Pasto, elaborado pela Federação da Agricultura do Paraná (Faep), em parceria com a Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab) e Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado Paraná (Ocepar), ressalta que os baixos preços dos derivados de suínos e aves também contribui para o limitado consumo da carne bovina.
Ele acredita que só a união dos produtores poderá fortalecer o setor e garantir que os pecuaristas trabalhem em pé de igualdade com os frigoríficos que, hoje, estão mais organizados e tecnificados. ''A qualidade da carne, o volume de produção e a constância na oferta são fundamentais para que o produtor conquiste novos mercados e receba mais pelo produto ofertado e isso só será obtido se o setor se unir em associações e cooperativas'', sugere.
Segundo Niederheitmann, a personalidade individualista e desconfiada do produtores mais antigos está dando lugar a uma geração de jovens pecuaristas interessados em investir em tecnologia, agregar valor à carne e expandir as exportações. ''Se hoje a carne brasileira é conhecida no mercado internacional pelos seus baixos preços, dentro de cinco anos, será reconhecida pela qualidade. E quem irá ganha será o produtor, que receberá mais por um produto melhor'', conclui. (M.G.)





