Apesar da geada, os agricultores de Pitangueiras ( 84 km ao norte de Londrina), no Norte do Paraná, continuam otimistas com a cafeicultura. O plantio de café adensado e a diversificação de culturas estão rendendo bons resultados aos pequenos produtores da região, que orientados por técnicos da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), decidiram substituir, desde 1995, as falidas culturas de algodão pelo novo método de plantio de café. O café adensado concentra mais plantas por unidade de área, diminui a erosão e aumenta a produtividade. Além do café, investiram na integração de atividades, plantando frutas ou criando aves e gado para leite.
Ao substituirem o plantio tradicional pela forma adensada, os cafeicultores de Pitangueiras aumentaram a produção mas não obtiveram aumento significativo nos lucros, pois continuavam vendendo café aos atravessadores, que beneficiam e comercializam o produto, ficando com o que poderia ser o lucro do produtor. A solução encontrada foi a união de forças para viabilizar uma unidade comunitária de beneficiamento e armazenamento de café, que está em operação desde junho deste ano.
BeneficiamentoPara conseguir comprar o equipamento, os produtores fundaram a Associação dos Cafeicultores de Pitangueiras (Acapi), que pleiteou junto ao poder público os recursos necessários. Foram investidos R$ 141 mil na estrutura total da unidade, que engloba uma máquina de benefício conjugada, uma balança rodoviária mecânica para 30 mil quilos e um galpão pré-moldado em alvenaria com 807,9 metros quadrados, para instalação dos equipamentos, estrutura operacional e armazenamento da produção.
O programa Paraná 12 Meses, do governo estadual, arcou com 35% dos custos, o município se responsabilizou por 30% e os próprios produtores pagaram os 35% restantes, através de financiamento pelo Programa Nacional de Fortalecimento de Agricultura Familiar (Pronaf). ‘‘A unidade de beneficiamento deve injetar R$ 300 mil anuais no município, mais que o dobro do valor investido’’, informou Cristovon Videira Ripol, chefe do escritório da Emater, ressaltando que o beneficiamento acrescenta cerca de 15% ao valor do café, se o produto tiver qualidade. Além disso, permite o aproveitamento da palha melada e o café escolha (quebrado), que possuem valor comercial.
PIB A cafeicultura proporcionou ao município dobrar o Produto Interno Bruto (PIB) agrícola, que em 1994 estava na marca dos R$ 6,5 milhões e hoje, atinge R$ 12,1 milhões, sendo R$ 4 milhões provenientes do café. Hoje, em Pitangueiras, existem 100 produtores de café adensado, que cultivam uma área total de 247 hectares, em propriedades com cerca de 10 alqueires. Nos últimos seis anos, foram criados 350 novos empregos na cidade, número bastante expressivo diante da população de 2,2 mil habitantes.
O engenheiro agrônomo da Emater, explicou que a base da retomada do desenvolvimento está na otimização dos fatores de produção. ‘‘Nós tentamos conscientizar os agricultores sobre a importância de aproveitar bem o capital, a mão-de-obra e o solo, que são os recursos disponíveis’’, disse.
Nesse contexto, o café só é viável enquanto componente de um sistema integrado com outras culturas. ‘‘Em uma área reduzida, é preciso haver opções diversas de rendimento. A criação de aves ou gado, por exemplo, acaba fornecendo esterco para a agricultura, diminuindo as despesas’’, acrescentou.
DiversificaçãoAlém de cultivar o café adensado, o agricultor Antônio Scarpeta cria aves e peixes para complementar sua renda. A opção vai garantir sua subsistência neste ano, quando perdeu quase toda a lavoura de café com a geada. ‘‘Em áreas pequenas, só é possível sobreviver com culturas diversificadas, por isso é importante criar novas alternativas’’, explicou.
O produtor Albino Resqueti contabilizou na ponta do lápis as vantagens trazidas pela utilização da unidade de beneficiamento. Há pouco tempo, ele beneficiou 33 sacas de café em côco, que resultaram em 11 sacas vendidas diretamente na bolsa de mercadorias. A operação lhe trouxe um lucro de mais ou menos R$ 15 por saca, totalizando R$ 171, valor suficiente para saldar uma dívida de financiamento. Ele ainda tem 300 sacas guardadas no armazém da associação, que serão comercializadas de acordo com a necessidade.
‘‘Também temos a vantagem de armazenar o café gratuitamente no galpão da Acapi, que oferece maior segurança contra roubos. Além do lucro maior que obtive, ainda me restaram oito quilos de café escolha, 130 quilos de palha melada e oito quilos de café para consumo próprio’’, contou.

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