Umuarama se livra do leite cru
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sexta-feira, 30 de maio de 2003
Vânia Moreira<br> Equipe da Folha 
Umuarama- A Secretaria de Saúde de Umuarama, no Noroeste do Paraná, conseguiu reduzir em mais de 50% o comércio de leite cru na cidade, sem prejudicar os produtores e revendedores que entregavam o produto de porta em porta. O leite, antes entregue in natura, agora chega ao consumidor pasteurizado, embalado e refrigerado.
A mudança foi possível graças à construção de um laticínio comunitário, implantando há quase dois anos. Hoje, a produção ainda é entregue direto ao consumidor, mas o leite é pasteurizado para garantir segurança alimentar. A produção soma cerca de 5 mil litros de leite/dia.
Segundo o presidente da Associação dos Produtores e Entregadores de Leite de Umuarama e região (Apelu), Osvaldo Borborema Marto, o trabalho comunitário melhorou a qualidade do produto sem aumentar os custos. O lucro de quem explora a venda está garantido e o leite chega ao consumidor com preço um pouco menor do que o cobrado nos supermercados.
Para Marto, o pequeno produtor saiu fortalecido com a mudança porque ganhou credibilidade dos consumidores. ''Saindo da clandestinidade ganhamos a confiança da população'', garante.
A maioria dos pequenos produtores recebe do laticínio da Apelu uma média de R$ 0,40 pelo litro de leite. No processo de pasteurização e embalagem são gastos aproximadamente R$ 0,12 por litro. O produto é vendido por R$ 0,80, em média.
Dono de três alqueires no Distrito de Lovat, João Pagangreeo, é um dos pequenos produtores que entrega leite nas casas em Umuarama. Pagangreeo conta que antes da implantação do laticínio comunitário vendia uma média de 60 litros/dia. Hoje entrega 130 litros.
O laticínio foi construído com recursos do município, governo e produtores. O investimento ficou em R$ 107 mil. A instalação tem capacidade para beneficiar até 12 mil litros/dia. Além da venda direta ao consumidor, a marca começa a ganhar clientela entre os comerciantes. A associação quer ampliar a produção para abastecer o comércio e planeja também produzir derivados: queijo e iogurte.
Sanidade - Até o início do ano passado o leite vendido nas ruas era transportado em garrafas de refrigerantes, em tambores, sem refrigeração. Não havia nenhum controle de higiene e sanidade do produto. Exames realizados pela Secretaria de Saúde do município apontaram que 70% deste produto apresentava contaminação por coliformes fecais, pus e bactérias causadoras da brucelose. Havia também adulteração do produto com água.
O veterinário da Vigilância Sanitária Municipal, Sérgio Eiko, admite que ainda existem denúncias da venda de leite cru em alguns bairros da cidade. ''Mantemos a fiscalização e apreendemos o produto se flagrarmos a venda de leite cru'', explica. A Vigilância desenvolve um trabalho de orientação para que as pessoas evitem consumo de leite cru. Nas propriedades, técnicos da Emater recomendam cuidados com a saúde dos animais, higiene na ordenha e a correta manipulação e conservação do leite.


