Cafés da atual safra, em fase de colheita, começaram a entrar no mercado nos últimos dias. Os efeitos das chuvas de três semanas atrás são de fácil constatação nos lotes cujos produtores não fizeram a varrição, necessária para separar os grãos que se desprenderam com as chuvas - e ficaram alguns dias no chão - dos grãos colhidos normalmente, em alguns casos ‘‘catados’’ com o pano.
O fenômeno não chega a comprometer a crescente melhoria dos cafés paranaenses, mas está presente na bebida, que acusa o excesso de umidade.
Para o corretor Marcos Baccetti, de Londrina, isto mostra ao produtor que compensa fazer a varrição, seperando aqueles cafés que estavam no chão, que afinal são em menor quantidade e, no entanto, podem comprometer todo o lote, sujeito a fermentação.
Diferente da seca, que interrompeu o completo enchimento dos grãos, prejudicando exclusivamente o produtor, a umidade transparece na bebida e compromete o preço final.
O ideal seria o produtor separar esse café que caiu com as chuvas em todas as etapas: na lavoura, no terreiro ou secador e no beneficiamento. No entanto - lembra Baccetti - os produtores hoje estão preocupados em reduzir custos em função de um preço baixo que vem desde três anos atrás.
Para economizar na mão-de-obra, muitos produtores estão derrubando o café em cima do que já estava no chão. Mas o prejuízo é maior - confirma outro corretor. A pesquisa e assistência técnica recomendam colheita no pano, o que evitaria este problema e ainda elevaria o padrão do café.
A seca deste ano precipitou o processo de maturação fisiológica do café. Em abril, na zona cafeeira do Noroeste do Paraná, as chuvas atingiram apenas 4,6 milímetros quando a média histórica do período é de 104 milímetros. Já no mês de maio, as chuvas foram muito concentradas e pesadas: 300 milímetros contra uma média, nos últimos 30 anos, de 132 milímetros.
Baccetti observa, porém, que excetuando o problema do momento, o café do Paraná está crescendo em qualidade. Para os problemas de umidade que estão ocorrendo agora, ele sugere que produtores levem amostras de seus cafés em laboratórios para verificar o grau de comprometimento. Pode ocorrer que mesmo misturando aos cafés do chão, a qualidade do lote não fora comprometida.
Segundo outros operadores do mercado, a redução de custos, quase sempre implicando em menor uso de tecnologia e dispensa de mão-de-obra, está afetando cafés em Minas Gerais.

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