Umidade pode prejudicar bebida
Cristina Côrtes
Na região de Londrina 30% do café já foi colhido, e na maioria da lavouras a umidade pode prejudicar a qualidade da bebida. Têm galhos cheios de grãos secos (bóias), alguns já mofados, e no mesmo pé pode-se observar grãos verdes e cereja. Este ano também a incidência de broca está um pouco maior do que em anos anteriores e começa a preocupar.
No Sítio São Sebastião, no Distrito da Warta, em Londrina, o produtor está em plena colheita e vai ter dificuldades para separar os grãos e garantir a qualidade da bebida. Sérgio Cavalheiro Bueno tem participado de reuniões e treinamento da Campanha Café Qualidade Paraná e está ciente que mesmo sendo mais trabalhosa, a colheita deve ser seletiva. Sérgio cultiva café há muitos anos, mas este é a primeira vez que está fazendo a colheita no pano.
QualidadeDos 19 municípios da região de Londrina, atendidos pelo Núcleo da Secretaria Estadual de Agricultura, Londrina é o município com maior área cultivada com café. No total são 6.190 hectares (ha), 4.650 ha de café tradicional mais o dobrado e 1.540 ha de café adensado.São 410 produtores, e se contarmos os porcenteiros, que é bastante comum, este número chega a dobrar, informa a agrônoma do escritório local da Emater em Londrina, Marly Alcantara Parra. A produtividade média na região é de 30 sacas/ha para o café adensado, mas lavouras produtivas chegam a colher 40 sacas/ha.
Segundo o agrônomo Francisco Barbosa, do Departamento Nacional do Café (Denac) em Londrina, a situação das lavouras em produção em todo o Estado está mais ou menos igual a condição das lavouras na região de Londrina. Muitos grãos bóiase maturação bastante desuniforme.
Com relação aos grãos secos, a alternativa é separar no lavador. Estes grãos que tiveram maturação antecipada estão mais leves e durante a lavagem vão boiar e se separar dos grãos verdes e maduros, explica o agrônomo Francisco Barbosa.
Barbosa comenta que a incidência de grãos bóias este ano foi provocada pelo inverno ameno do ano passado que favoreceu uma floração diferenciada. O clima agora na colheita também tem colaborado para o aparecimento dos grãos bóias, porque apesar das chuvas estarem dentro da média, temos tido muitos dias nublados, provocando alta umidade relativa do ar.
BrocaOutro problema que começa a aparecer e preocupar produtores, e pode ficar mais sério nas próximas safras é a broca, comenta Barbosa. A colheita do ano passado foi prolongada em função da maturação sem uniformidade e muitos produtores acabaram deixando grãos pelo chão, o que alimenta a praga e estimula seu desenvolvimento.
O produtor Sérgio Cavalheiro disse que também está preocupado com a broca. Este ano apareceu mais, e temos que ter muito cuidado no final da colheita. Fazer a varrição depois da colheita é um serviço chato de fazer, mas precisa ser feito.
O sistema de plantio adensado também favorece o aparecimento da broca, porque as plantas muito próximas dificultam a limpeza. Para a agrônoma Marly, o espaçamento do adensado também atrapalha a colheita e exige que o produtor faça podas, prática não muito aceita pelos produtores tradicionais. Nós, da extensão, temos recomendado para quem vai começar o plantio fazer um espaçamento um pouquinho maior, deixando pelos menos 30 cm entre as saias. Estamos chamando este café de ajustado. Ele facilita a colheita e evita o trabalho da poda, explica.
AmenizarPara tentar amenizar o problema da desuniformidade da maturação dos grãos, a agrônoma da Emater recomenda que na hora da secagem no terreiro o produtor faça leiras mais altas, com mais ou menos 40 centímetros. Os grãos verdes vão secando mais lentamente e as leiras mais altas facilitam, explica.
Com relação aos grãos bóias, é preciso passar pelo lavador, não tem outro jeito de separar. O problema é que nem todo produtor tem o lavador na propriedade. É o caso de Sérgio Cavalheiro, que empresta o lavador do vizinho. Não tenho custo adicional por isto, e preciso garantir a qualidade do meu produto, comenta.
A propriedade de Sérgio é pequena, apenas 5 alqueires, e o cultivo do café viabiliza sua manutenção. Ele cultiva 8 hectares das variedades mundo novo e catuaí vermelho, onde colhe em média 40 sacas/ha de café beneficiado. O custo de produção tem ficado em torno de R$1.200,00/ha de insumos e R$720,00/ha na colheita. Considerando o preço em média de R$120,00 a saca, o lucro bruto é de R$4.800,00. Sérgio está fazendo a colheita em duas etapas, está terminando a primeira etapa agora e em meados de agosto fará a segunda.





