DesânimoClaudemir David: 26 mil pés de pimentão perdidos, além dos estragos causados na abobrinha e no tomateSaborear um prato de salada está mais caro e mais difícil neste verão. O excesso de chuva registrado nos meses de janeiro e fevereiro fez verdadeiros estragos nas plantações de hortaliças. Em Marilândia do Sul, pólo de produção de verduras no Norte do Estado, quem não teve as hortas destruídas pelas precipitações ou foi impedido de comercializar a produção pela falta de condições das estradas, está sofrendo agora com o ataque de doenças causadas pelas altas temperaturas e pela umidade.
Só no caso do tomate, plantado na última safra por 90% dos produtores da região, foram perdidos 4 milhões e 750 mil quilos. ‘‘Grande parte deste volume estragou nas roças, à espera dos compradores que não conseguiram chegar até as propriedades’’, afirma o engenheiro agrônomo Romeu Suzuki, do escritório da Emater em Marilândia. As chuvas ininterruptas também impediam a aplicação de defensivos, aumentando os problemas com doenças e comprometendo a qualidade das hortaliças. Segundo Suzuki, só este último fator foi responsável por uma quebra de aproximadamente 20% na safra .
Fungo e bactériasJá as doenças que começaram a surgir com a estiagem estão causando perdas praticamente totais em algumas áreas plantadas. São patologias provocadas principalmente por bactérias e pela septória, um tipo de fungo que começa a queimar as folhas de baixo para cima e compromete o crescimento dos frutos. ‘‘As doenças bacterianas, que prejudicam a parte aérea da planta e mancham os frutos, são de difícil controle, por não existirem no mercado produtos específicos para combate’’, explica o agrônomo da Emater.
O produtor Claudemir Batista David, que junto com dois irmãos planta cerca de 24 hectares de hortaliças, acredita que nenhum produtor da região escapou de problemas nos últimos meses. ‘‘Aqueles que conseguiram colher até 15 de dezembro não foram prejudicados pelas chuvas, mas em compensação não conseguiram preço, e muitas vezes nem comprador, para a produção.’’
A família David planta 30 mil pés de tomate e 50 mil pés de pimentão, além de áreas menores com cenoura, abobrinha e pepino. Numa das áreas ocupadas por pimentão, a doença conhecida por ‘‘murchadeira’’ deve causar uma quebra de 70% na produção. ‘‘O ataque foi bem na época da floração, e os pés não chegaram nem a produzir fruto’’, diz Claudemir. Segundo ele, a plantação também foi atacada por um tipo de virose que ‘‘amarela as folhas e prejudica os frutos’’.
Josoé de CarvalhoAs plantações de tomate que até alguns dias estavam viçosas, já começam a apresentar pés doentes
Na parte em que o ataque atingiu um nível mais crítico, o produtor acha que vai ter que passar a grade e plantar outra coisa, como cenoura ou beterraba. ‘‘São 26 mil pés de pimentão perdidos’’, queixa-se, lembrando que até a abobrinha, uma cultura que normalmente apresenta boa resistência à chuva, sofreu com o excesso de água. Dos 250 pés, 150 não devem nem chegar a produzir. ‘‘Desde que me entendo por gente, nunca vi tanta chuva assim’’, diz.
PreocupaçãoAgora, a preocupação dos irmãos David é com os tomateiros plantados na estiagem. Alguns pés estão murchando, e Claudemir acha que, se voltar a chover, o problema será intensificado, comprometendo a produção.
Situação parecida vive Isaac Correia Ribeiro, que planta cenoura e tomate com o irmão Daniel em uma área de 13 hectares. Basta olhar para as plantações dos Ribeiro para perceber que as coisas não vão bem. Uma área de tomate plantada há 20 dias está visivelmente ‘‘judiada’’ e, segundo o produtor, a causa seria uma doença que ele não sabe nomear.
No caso da cenoura, a situação também é crítica. ‘‘Nós plantamos no início de janeiro e perdemos tudo, por causa do sol muito forte. Replantamos e aí veio a chuva, que castigou tudo.’’ Isaac explica que como os pés mais novos são muito sensíveis, ficam deitados junto ao solo e acabam morrendo com o sol forte que vem em seguida.
‘‘A chuva também provoca a requeima, que seca as folhas e atrapalha seu crescimento’’, afirma o produtor. Ele diz que com isso as raízes também não crescem direito, caindo a produtividade e provocando sério comprometimento na qualidade do produto final. ‘‘Numa área onde a gente esperava colher mil caixas de cenoura, vamos conseguir só umas 300’’, lamenta Issac Ribeiro.

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