As cooperativas devem receber nesta safra 2014/15 aproximadamente 60% do volume total produzido de milho safrinha, algo em torno de 6,6 milhões de toneladas. Apesar das chuvas, a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) avalia o ano como extremamente positivo, com produtividade acima da média e boa qualidade dos grãos.
O coordenador técnico da Ocepar, Robson Mafioletti, explica que apesar dos problemas ocasionados pelos altos índices pluviométricos, o milho paranaense está com padrão tipo exportação e também para a produção de ração. "Por alguns dias, os produtores que colheram com mais antecedência estavam entregando nas cooperativas um milho com índice de umidade alta, entre 25% e 28%, e por isso estavam recebendo valores pouco interessantes. Isso porque as cooperativas têm um alto custo para secar esses grãos e trazê-los para um índice de umidade de 13%. Entretanto, a situação agora está bem melhor e eles estão entregando a commodity numa situação boa", explica o especialista.
No que diz respeito a preços, Mafioletti estima que o custo de produção deve estar na casa dos R$ 18 por saca, portanto, os produtores ainda estão com uma pequena lucratividade no atual cenário de preços. "Os Estados Unidos tiveram alguns problemas com a safra, o que acabou influenciando positivamente na bolsa de Chicago. Mesmo assim, a expectativa da colheita deles é boa, os preços podem cair um pouco, mas a aceitação do produto no mercado internacional ainda é bem interessante, justificado também pelo câmbio favorável à exportação", completa o coordenador.
A cooperativa Integrada, com sede em Londrina, sofreu pouco com o impacto das chuvas. Alguns produtores da região Oeste entregaram grãos mais prejudicados à cooperativa, mas um volume irrisório frente a todo o recebimento. A expectativa da Integrada é receber algo em torno de 840 mil toneladas, número aproximadamente 15% maior que o da safra 2013/14. "De fato, só não vamos receber um volume maior porque nossa infraestrutura ainda possui soja daqueles produtores que não comercializaram", explica o gerente comercial da cooperativa, João Bosco de Souza Azevedo.
Ele salienta que as lavouras foram muito bem, já que o tempo quente durante o inverno acabou ajudando. "Na região Oeste, sentimos um pouco a chuva, mas foi algo pontual em comparativo a todo o volume. Hoje, temos materiais de milho de alta performance, o que favorece demais essa melhor produtividade", salienta.
No que diz respeito aos valores de comercialização, o gerente comercial explica que aqueles que tiveram condições de travar o custo de produção, negociando anteriormente, conseguiram preços até mais interessantes do que o atual. "Se por um lado o dólar eleva os custos de produção, já que 70% dos insumos são cotados na moeda, por outro ele ajuda no melhor preço de comercialização. De modo geral, digo que a safra foi positiva. Agricultura é uma empresa a céu aberto, impossível de colher 100% do produto com a melhor qualidade", opina Azevedo.

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