Uma xícara de café para cada chinês
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sexta-feira, 27 de abril de 2001
Jota Oliveira De Londrina 
Uma saca de 60,5 kg de café rende 48 kg de grão torrado e isto resultaria em 5.000 xícaras de 50 ml. Se o Brasil conseguisse fazer a troca de uma xícara de chá por uma de cafezinho, com um bilhão de chineses, da população total de 1 bilhão e 300 milhões de pessoas, ainda sobraria muitos consumidores potenciais. Mas, somente naquela proporção, teríamos por dia, a mais, 5 bilhões de xícaras de café, ou 73 milhões de sacas no ano-safra, ou 365 bilhões de xícaras. Isto significa que faltaria café até para o consumo interno de 13 milhões de sacas ao ano e 18 milhões para exportação a outros países (EUA e Europa, principalmente). O Brasil precisaria duplicar sua produção e gastar todo seu estoque para atender apenas a China.
Assim, valeu a pena o investimento do café brasileiro na Ásia, onde a cafeicultura vem se expandindo e já chega à exportação pelo Vietnã e Coréia, além de existir em outros países da Ásia, como Índia. Por isso, é valida a promoção nos festivais promovidos pela Organização Internacional do Café (OIC), e Ministério da Agricultura, que vêm desenvolvendo uma campanha de marketing da bebida brasileira. Como aconteceu este mês, no Salão Internacional de Alimentação, em Xangai, além da participação recente em iniciativas de marketing na França, EUA e Argentina. No começo desta semana, mesmo, voltaram os brasileiros que participaram de promoção em Miami e estiveram também na Costa Rica.
O Brasil já vendia máquinas de café para a China e outros países da Ásia. Agora entra na promoção e na primeira quinzena deste mês a diversidade e a qualidade dos cafés brasileiros foram apresentados, oficialmente, ao mercado chinês, em dois eventos em Xangai: o Festival de Café da Organização Internacional do Café (OIC), que demonstrou como se faz o cafezinho brasileiro em diversos pontos-de-venda e cafeterias chinesas, e o Sial China - Salão Internacional da Alimentação.
Essas realizações tiveram a participação do Programa Cafés do Brasil, iniciativa de marketing oficial do café brasileiro, instituído há pouco mais de um ano pelo Ministério da Agricultura em parceria com o Conselho Deliberativo da Política do Café (CDPC), órgão composto pela produção (cafeicultura), comércio (exportação) e indústrias (café solúvel e torração e moagem).
Parcela do MercadoCom a participação nesses eventos, pretende-se começar a conquistar para o produto brasileiro uma parcela do mercado chinês, ainda emergente mas de grande potencial de crescimento tanto para o café em grão quanto para os cafés industrializados, a exemplo do solúvel, explica Carlos Henrique Jorge Brando, coordenador de marketing do programa.
Brando sonhava com a possibilidade pouco provável de levar 1 bilhão de chineses a trocar todo dia uma xícara de chá, por uma xícara de café. Na China, além de Carlos Brando, estiveram Jaime Junqueira Payne, diretor do Departamento do Café do Ministério da Agricultura; David Nahum Neto, coordenador geral do programa, e empresários.
Eles tiveram vários encontros com representantes comerciais chineses, para iniciar conversas sobre a possibilidade de negócios naquele país. Essas conversas começaram no ano passado, pelo Programa Cafés do Brasil, quando se passou a avaliar os mecanismos mais adequados para promover o consumo do produto brasileiro no mercado chinês.
ConsumoO consumo de café na China é de pouco mais de 300 mil sacas ao ano. Mas, no ano passado, o governo chinês previa que cerca de 200 milhões de pessoas poderiam passar a consumir os Cafés do Brasil, a médio prazo.
O aumento de consumo de café no mercado chinês vinha sendo trabalhado, há cerca de cinco anos, pela própria OIC, por meio da promoção do produto dentro de estratégias que hoje incluem um apelo cultural. Nessas oportunidades, em estandes próprios ou em cafeterias, pode-se experimentar o café brasileiro de coador e o spresso. O café gourmet é outra iniciativa do marketing para promover o café conforme seu paladar e cheiro (assim como uma dose de vinho dos bons), divulgado em mercados tradicionais, como o americano e o europeu. Um café especial, mais caro, feito do modo como se gosta e pouco se bebe no Brasil, onde o que garante o mercado interno é, principalmente, o cafezinho de coador.


