Uma visão da agropecuária - Juarez Moreira da Silva
Nestes quase 24 anos desde minha formação em Medicina Veterinária, trabalhando na Defesa Sanitária Animal, Extensão Rural, Ensino, Cooperativismo, Produção Animal, Marketing e atualmente na Regional da Secretaria da Agricultura em Londrina, tenho observado quanto se transformou o setor agropecuário.
No passado a grande tarefa do meio rural era produzir em larga escala, não se importando muito com a qualidade, visto que a Economia absorvia toda produção, sem grandes exigências. Isto ocorreu com evidência, sendo aproveitado avidamente pela corrosão inflacionária que reinava em nosso país, onde os custos de produção eram maquiados pelo ganho especulativo.
Mesmo naquela época existiam organismos preocupados em que os produtores rurais fossem capacitados com vistas ao grande desafio de hoje, que é o agronegócio. No ritmo em que todos os setores se modernizavam, o agropecuário sempre estava atrasado, em grande parte pela relutância dos produtores em se modernizarem administrativamente, capacitando seus empregados, dotando o setor de visão estratégica no plano gerencial. Chegou o momento em que não se podia enganar mais, pois qualquer operação mal gerenciada redundava em risco comercial e até do patrimônio familiar, mesmo porque já não existiam mais as reservas de mercado; as distâncias diminuíram, todo o comércio tornou-se interativo e os meios de informação ficaram disponíveis em qualquer terminal de banco, cooperativa de produção ou sindicato de classe.
Hoje, notamos que o foco da produção está voltado para a comercialização sob as regras das cadeias produtivas, em que a qualidade e a competitividade são a tônica do negócio, ou seja, estamos em pleno agronegócio, e é por esse caminho que devemos nos conduzir. Agora surge o empresário rural, capacitado e muito bem informado sobre as mudanças que ocorrem a todo momento ao seu redor. Neste percurso também estamos nós, profissionais técnicos do setor, com responsabilidade redobrada, em que necessitamos exercer nosso papel não só com nossa formação acadêmica, mas também com visão consultiva, futurística e de gerência comercial, de acordo com as exigências do mercado.
Neste particular, o Paraná sobressai com bastante profissionalismo, porque vem mudando o conceito de celeiro agrícola, sem a infra-estrutura do passado, quando aqui se colhia, enviava-se a produção para outros Estados e se comprava o produto acabado. O Governo do Paraná resolveu redirecionar o foco da produção no Estado, dotando-o de infra-estrutura portuária, anel de integração com os diferentes pontos do País; criando centros de excelência por produtos. Enfim, procedeu o zoneamento da produção agropecuária no Paraná, aliando as políticas de interesse social, visando dar agregação de renda, diminuição da pobreza e mais qualidade de vida ao produtor rural.
Para este importante papel, à Secretaria da Agricultura e Abastecimento, através de suas empresas vinculadas (Emater, Codapar. Ceasa, Claspar e Iapar), junto com demais parcerias, coube a tarefa de gerenciar essas mudanças através de ações estratégicas na Defesa Sanitária Animal com status de livre de febre aftosa com vacinação, a ser certificado nos próximos dias pela OIE (Organização Internacional de Epizootias), trabalho creditado aos meus colegas médicos-veterinários que atuam em todos os setores: os programas de apoio ao pequeno produtor rural, como o Paraná 12 meses que objetiva a renda mensal do produtor; o Programa de Vilas Rurais, visando dar ao trabalhador volante a dignidade da moradia; o Programa Fábrica do Agricultor, que objetiva inseri-lo no mercado, para que obtenha o segundo ganho com mais valor agregado; o Programa do Calcário, que proporciona acesso a pequenos produtores; o Programa Banco da Terra, em parceria com o Governo Federal.
Esta é uma visão de como será a agropecuária paranaense, em que o profissionalismo sobressai sobre o amadorismo, e a responsabilidade de nossas entidades educacionais deverão ser parceiras constantes para o sucesso da agropecuária e do produtor rural.
O autor é médico-veterinário, chefe do Núcleo Regional da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento em Londrina.





