Uma roça só de peixes
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 25 de julho de 2003
A opção pela piscicultura facilita a reinserção do ex-agricultor no campo 
Na propriedade estão montadas oito represas que abrigam cerca de 5 mil quilos de peixes. A tilápia é a principal espécie, mas há também pacú, carpa, piauçu, pintado e tucunaré. O pesque-pague tem uma área de engorda, considerada pequena por Carlos Alberto, responsável pela metade dos peixes disponíveis. O restante é adquirido com criadores de Rancho Alegre (60 km a oeste de Cornélio Procópio) e da região do Vale do Ivaí.
O local se tornou ponto de referência para os ''pescadores''. Além de um ambiente agradável, o pesque-pague tem um restaurante de comida caseira, cujos pratos vão desde os peixes até uma ''autêntica'' polenta italiana com frango caipira. ''Daquela mexida com méscula (uma espécie de colher de pau) e com muito tempo de fogo baixo'', garante dona Aurélia.
Carlos Alberto se diz satisfeito com a rentabilidade da propriedade que sustenta três famílias, além de garantir emprego para outras sete pessoas nos finais de semana. Os peixes chegam na propriedade ao custo de R$ 2,80 o quilo e são comercializados a R$ 4,50. ''Descontando as perdas técnicas, dá um ganho de 20%'', comemora.
A propriedade ainda mantém 5 mil pés de café que, devido à ''falta de tempo'' dos Clivati, são cuidados por um porcenteiro. Outros cinco hectares são arrendadados para um vizinho que cultiva soja.
Apesar do registro de sofrimento com a terra, principalmente o temor da geada nos cafezais, ''seo'' Lauro diz ter muita saudade dos anos vividos. Para dona Aurélia a vida do agricultor hoje é mais fácil: ''Tem muita máquina, eles não erram na previsão do tempo. Não tem sofrimento maior que esperar por uma chuva que não vem, e você olhar para terra e ver as plantas morrendo''.


