Des Moines (EUA) - Em meados da década de 1960, um agrônomo norte-americano implantou por meio de suas pesquisas um novo modelo de agricultura: produção mais intensa de alimentos, melhores práticas de manejo e seleção de materiais para o plantio. Norman Borlaug, batizado de pai da Revolução Verde, foi responsável por pesquisas que desenvolveram variedades de trigo mais produtivas e resistentes a doenças, insetos e mudanças climáticas e que ajudaram a transformar a produção da cultura no México. Esse pacote de técnicas foi implantado primeiro na América Central e depois se espalhou pelo mundo.
Toda a biografia a respeito de Borlaug dá conta que esse trabalho teve um objetivo único: saciar a fome da humanidade. O crescimento da população e a necessidade de produzir alimentos para alimentar o planeta já naquela época era uma preocupação, aliado ao período de pós-guerra e de conflitos civis. O pesquisador sempre trabalhou para transferir tecnologia para os países em desenvolvimento e ajudá-los a produzir mais. Estima-se que suas pesquisas tenham salvo da inanição até 1 bilhão de vidas em todo o mundo. Por seu trabalho, em 1970 ele foi premiado com o Nobel da Paz.
A preocupação de Borlaug com a fome nunca parou. E não sem razão. Hoje, a previsão da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) é que em 2050 o número de habitantes do planeta cresça em 2 bilhões, passando para mais de 9 bilhões. Como produzir alimento a contento e saciar essa fome? Borlaug sempre insistiu que a pesquisa e, depois, a engenharia genética poderiam mudar o cenário mundial de produção de alimentos. Sempre atento, apostou que esse é o caminho para levar alimento para o mundo.
E foi a pesquisa, com trabalhos na área de biotecnologia, que se destacou este ano no World Food Prize (Prêmio Mundial de Alimentação), entregue anualmente a pessoas ou entidades que ajudam a combater a fome no mundo.
Os pesquisadores americanos Robert Fraley e Mary-Dell Chilton e o belga Marc Van Montagu foram os laureados do Prêmio em 2013 pelos trabalhos individuais, independentes – mas não isolados – no desenvolvimento e aplicação da biotecnologia na agricultura moderna. Com suas pesquisas inovadoras foi possível colocar no mercado as plantas geneticamente modificadas. O resultado foi o melhoramento e ampliação do rendimento das lavouras, resistência a pragas e doenças e a maior capacidade das plantas de tolerar mudanças extremas no clima.
Honrados pela conquista, os cientistas concordam com o movimento de Borlaug de que a pesquisa pode ajudar grandes e pequenos produtores em todo o mundo. "Tecnologia significa segurança alimentar", observou Fraley, frisando que nunca imaginou que a pesquisa chegaria tão longe. "E essas tecnologias estão mudando a maneira como os produtores trabalham. E dobram a produção em áreas não agricultáveis antes", reforçou o pesquisador. Contratado pela Monsanto em 1981, Fraley esteve à frente de um grupo de biologia molecular de plantas que trabalhou com métodos para transferência de gene. Em 1996, ainda na empresa, liderou a introdução da soja geneticamente modificada que era resistente ao herbicida glifosato, comercialmente conhecido como Roundup.
Defensor dos materiais transgênicos, Marc Montagu destaca que há muita desinformação a respeito dos organismos geneticamente modificados. "É preciso olhar para os benefícios da tecnologia", acrescentou o cientista, destacando a possibilidade desta tecnologia ajudar a aumentar a produção de alimentos principalmente em países mais pobres.

A jornalista viajou a convite da CropLife Internacional e da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef)

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