Plano nacional prevê política e estratégias de ação visando avançar a qualidade da produção de frutas no País, além do aumento no consumo interno e nas exportações
Plano nacional prevê política e estratégias de ação visando avançar a qualidade da produção de frutas no País, além do aumento no consumo interno e nas exportações | Foto: Saulo Ohara



Frutas tropicais, bonitas, graúdas e saborosas sempre estiveram intimamente ligadas ao que o Brasil produz, talvez desde quando eram ostentadas no chapéu da artista Carmem Miranda, entre as décadas de 1930 e 1940. Entretanto, quando enveredamos ao agronegócio, a cadeia fruticultura brasileira ainda vive um paradoxo: o País é o terceiro maior produtor de frutas do mundo, mas quando se trata da exportação, despencamos para 24º lugar no ranking mundial. De forma bem direta, as frutas brasileiras ainda têm muito para conquistar no globo. Mais do que isso: o mercado interno também ainda está longe de ser explorado como deveria.

Agentes públicos e privados – encabeçados pela CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) e a Abrafrutas (Associação Brasileira de Produtores Exportadores de Frutas e Derivados) - conhecem muito bem esses gargalos e foram convidadas pelo Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), em 2017, para a elaboração do Plano Nacional de Desenvolvimento da Fruticultura, com o objetivo de traçar uma política e estratégias de ação para o setor visando avançar na qualidade da produção, aumento do consumo interno e das exportações. Depois de diversas reuniões, o plano finalmente está previsto para ser lançado oficialmente agora em fevereiro, no Palácio do Planalto, em Brasília.

Os números, por si só, apontam a importância de fomentar o setor que movimenta no mercado global aproximadamente US$ 70 bilhões anualmente. O Brasil, apesar da produção superior a 40 milhões de toneladas por ano, exporta apenas 2,5% desse volume. "Alguns gargalos impedem mais competitividade à fruticultura brasileira, por isso é importante a adoção de políticas de médio e longo prazos, compreendendo parceria público-privada em conexão com as demandas de mercado", salientou o assessor da secretaria-executiva do Mapa, Ricardo Cavalcanti.

No Paraná, apesar de algumas regiões com cases de sucesso, há muito o que ser explorado. A produção de 2016 fechou em 1,44 milhão de toneladas (3,6% do nacional), com um VBP (Valor Bruto de Produção) próximo a R$ 1,5 bilhão, sendo as de maior fatia nesse montante a uva, banana, laranja, tangerina, morango, maçã, melancia, entre outras. Mas quando se trata da exportação in natura, os números são irrisórios. Os dados são do Deral (Departamento de Economia Rural) da Seab (Secretaria de Agricultura do Paraná). "Vemos o Paraná como um Estado bem organizado comparado a outros. A Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná) participou do plano via CNA, além de setores importantes, como a laranja. É um Estado que tem vocação para fruticultura e acreditamos que o plano vai repercutir positivamente na produção paranaense", disse à reportagem da FOLHA, o assessor técnico da Comissão Nacional de Fruticultura, da CNA, Eduardo Brandão.

Segundo o Mapa, o plano está assentado em dez tópicos: governança da cadeia produtiva; pesquisa, desenvolvimento e inovação; sistemas de produção; defesa vegetal; marketing e comercialização; gestão da qualidade; crédito e sistemas de mitigação de riscos; legislação; infraestrutura e logística e processamento e industrialização. "A ideia é atingir um modelo de gestão para o desenvolvimento sustentável da fruticultura. Hoje temos muitos problemas e este plano vem para auxiliar o governo no momento de adotar políticas públicas e ações para aperfeiçoamento desse modelo sustentável", complementa Brandão.

Expectativa é de 'estrutura uniforme' entre o governo e setor produtivo

No bate papo com a FOLHA, o assessor técnico da Comissão Nacional de Fruticultura, da CNA, Eduardo Brandão, não titubeou em dizer que um dos grandes problemas de fomentar a fruticultura é que as estratégias são debatidas e lançadas, com início, mas não têm fim. "Ainda na época da ministra Kátia Abreu, há uns dois anos, tivemos um plano nacional de combate à mosca da fruta que acabou não saindo do papel", relembrou.

Outro gargalo relatado pelo representante da CNA é uma deficiência muito grande na parte de pesquisa, desenvolvimento e inovação da fruticultura. "Isso precisa ser trabalhado, com um levantamento das áreas de produção, dos custos. Hoje não existe uma ferramenta que nos dê esses números de forma confiável."

Pensando na imagem da fruticultura nos outros países, existem muitas participações em feiras e exposições, mas para Brandão, é preciso focar mais na promoção e marketing do produto nacional. "Precisamos vender a fruta brasileira como algo de sabor e sustentável. Nós sabemos onde o calo está apertando, mas os problemas acontecem porque não havia até agora uma estrutura uniforme entre o governo e o setor produtivo. Nunca teve uma divisão clara de tarefas, era uma bagunça danada, isso gerava diversos problemas."

Mais uma ação importante é no foco da agroindustrialização. No caso, por exemplo, de frutas que não estão dentro do padrão de exportação, mas ainda têm qualidade, é possível trabalhar na geração de outros produtos processados. "Hoje, não temos na cadeia nenhum incentivo nesse sentido."

Com essas estratégicas e adoção de um planejamento, o assessor técnico da CNA acredita que haverá mais clareza institucional e, assim, saber qual caminho andar em curto, médio e longo prazo. "Assim, garantiremos o desenvolvimento econômico que a fruticultura precisa. Queremos também reduzir os custos de produção, tornar o setor mais forte, competitivo, e capaz de atender os padrões de mercado. Somos um setor que emprega praticamente 16% da mão de obra do agro brasileiro. Temos muito para crescer."

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