Uma quiçaça que se tornou rentável
Uma área de morros, de solo inapropriado para plantio de grãos, que se tornou extremamente rentável para o agricultor José Francisco, da cidade de Apucarana. A família de quatro irmãos que toca a propriedade de 32 alqueires em mais de 20 pessoas resolveu apostar no plantio de eucalipto há cerca de seis anos, num local, segundo eles, considerado uma "quiçaça" da propriedade.
O mato alto foi substituído por mudas de eucalipto bem rentáveis. Com o apoio do Instituto Emater, a família resolveu apostar na cultura, em 1,8 alqueires, nos sistemas de maciço florestal e também silvipastoril, que traz conforto térmico para as 100 cabeças de gado da família. Depois de vender as primeiras toras para o setor de energia no ano passado, José Francisco não têm dúvidas sobre a rentabilidade da cultura e deve plantar mais três mil mudas em 2015. A família pensa no futuro.
As contas são simples e exemplificam bem a rentabilidade das florestas na propriedade. Depois de aguardar seis anos para o crescimento das toras, a família comercializou-as pelo valor de R$ 49,2 mil. Para a implantação, os gastos foram de R$ 12,1 mil, restando um lucro líquido de R$ 37,1 mil: uma renda anual de R$ 6,1 mil por alqueire. Só como análise comparativa, a soja cultivada na propriedade resultou em R$ 7,2 mil por alqueire, com a diferença que 50% se refere a custos. Sempre lembrando que uma cultura não substitui a outra: elas são complementares. "Era uma área perdida da propriedade, que estava se tornando "quiçaça" nem pastagem tinha. O eucalipto se tornou uma ótima alternativa, vendemos as toras por R$ 87 a tonelada e ficamos muito satisfeitos com o resultado", salienta José.
A nova aposta em mudas significa que José e os irmãos olham para o futuro: eles acreditam na melhora de preços, principalmente de toras mais grossas. A grande dificuldade, segundo a família, é a mão de obra escassa para o plantio. "Mas na hora de cortar e fazer o transporte, todos da família ficaram mobilizados, já que queríamos ver o dinheiro entrar logo", brinca José Francisco. "É uma cultura que quanto mais se cuida mais lucro dá. Estamos bem animados e hoje o eucalipto já faz parte da diversificação do nosso negócio", complementa ele. (V.L.)





