AcessoJorge Strass, na plantação de framboesa: ‘‘As pessoas procuram qualidade e alternativas acessíveis’’Londrina tem atrações turísticas que ficam escondidas nos antigos sítios e fazendas da região. São matas nativas, recantos paradisíacos e belas construções, erguidas pelos colonizadores, que hoje se encontram esquecidos ou sem nenhuma função para os seus donos. Muitos deles se esquecem de que estes locais, mesmo sem grandes investimentos, poderiam tornar-se uma fonte de renda extra dentro da propriedade.
Para chamar a atenção dos produtores rurais para esta possibilidade e incentivar o turismo na região, a Prefeitura do município, através da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), está promovendo palestras com pessoas que trabalharam em planos de desenvolvimento turístico em outros locais do País e estudando formas de apoio institucional a este tipo de negócio.
Dias atrás o presidente da Santur - órgão responsável pelo turismo em Santa Catarina -, Luis Moretto Netto, esteve em Londrina e falou para agentes de viagens e pequenos produtores rurais, sobre a experiência daquele Estado, que implantou o projeto ‘‘Caminhos da Imigração’’. O trabalho foi inspirado em outro realizado na Espanha há 20 anos, seguindo os passos dos imigrantes.
As belas paisagens são uma das atrações das propriedades da região, que não precisam abandonar a agricultura
Atividade paralelaA exemplo do que fizeram os catarinenses, a idéia que a Codel quer divulgar entre os produtores é a do agroturismo, onde a propriedade continua ativa e mantém os serviços turísticos como uma alternativa de renda para os seus donos. ‘‘Existe o projeto de traçar um caminho, que percorreria propriedades do patrimônio Heimtal e do distrito da Warta, onde os visitantes teriam a oportunidade de ver de perto o processo de fabricação de alguns produtos artesanais, como compotas e embutidos’’, explica Marcia Bounassar, diretora de Turismo da Codel.
Ela lembra que já existem também empresários dispostos a investir no Heimtal, com a instalação de restaurantes de comida típica. Uma das providências a serem tomadas pela Prefeitura, segundo Marcia, é a construção de portais, no início e no final do trajeto, que funcionariam também como centrais de informação, com distribuição de material esclarecendo o que encontrar em cada propriedade.
‘‘O mais importante disso tudo é que os produtores estão muito motivados, e as propriedades, de certa forma, já têm estrutura para receber os turistas. Faltam, é claro, alguns detalhes, como construção de banheiros e uma certa ‘maquiagem’ nos locais’’, afirma Márcia Bounassar.
Josoé de CarvalhoRestaurante de comida típica alemã, construído à beira da estrada mas dentro da propriedade: projetos de ampliação
Vilas alemãsEntre os produtores animados com a idéia do agroturismo acha-se o produtor e empresário Jorge Strass, do distrito da Warta. Ele já tem, há alguns anos, um restaurante de comida típica alemã às margens da Rodovia Celso Garcia Cid, onde é utilizada parte da produção de frutas (como uva, framboesa e morango) obtida na propriedade de 77 hectares. Há três anos os Strass construíram uma nova sede para o restaurante, onde constantemente fazem pequenas reformas, com o objetivo de transformá-lo, aos poucos, em um local parecido com as vilas alemãs, onde as famílias vão para passear e até passar o dia.
Eles já começaram, por exemplo, a plantar várias espécies de árvores (como marfim, jatobá, pau-brasil, pau-d‘alho e peroba) na área ao lado do restaurante, onde pretende, no futuro, formar um bosque. A grande caixa d‘água já foi coberta de terra e deverá ser gramada, para que se torne um local de brincadeiras das crianças. A idéia de construir uma pousada nas imediações também não é descartada pela família.
Jorge, que começou a diversificar suas atividades informalmente, vendendo frutas na beira da estrada, lembra que o segredo do sucesso é manter a qualidade. ‘‘É isso que todos procuram. Nossa região não é sofisticada. As pessoas daqui são simples e estão à procura de alternativas de passeio acessíveis. As praias, por exemplo, estão distantes, e se tornam inviáveis para muitos’’, observa o produtor.
Origem ruralOutro ponto a favor do agroturismo, na opinião de Jorge Strass, é que a maioria da população da região veio do campo, e procura, de certa forma, voltar às origens. Um sinal de que a teoria de Jorge está certa é o sucesso obtido pela iniciativa de um sobrinho seu, Reinhold Júlio Strass, que construiu dois campos de futebol suíço iluminados, um bar e um pequeno barracão para festas na propriedade em que mora com os pais, no Heimtal.
Produtor de aves, uva e verduras, Reinhold agora já tem ocupação em todas as noites de quartas e sextas e nos finais de semana, quando aluga os campos para grupos de empresários. A idéia, segundo ele, é criar uma área de lazer para aluguel. ‘‘Já estou pensando em construir mais um campo, quiosques com churrasqueiras e um barracão maior de festas. As pessoas procuram lugares calmos como este’’, diz, animado com a grande procura que o novo empreendimento vem registrando.

mockup