Uma forte aliada na prevenção dos males típicos deste final de século. Assim poderia ser definida a morféia, uma planta que à primeira vista nada tem de especial e que, embora ainda desconhecida no Brasil, há séculos é consumida pelos egípcios. Apesar de sua aparente simplicidade, ela possui 99 vezes mais vitamina B que a cenoura e apresenta grande poder sobre a ação dos radicais livres, inibindo seus malefícios no organismo.
Entre os japoneses, ela está presente na dieta de grande parte da população há pouco mais de uma década, sendo consumida, atualmente, das mais diversas formas: saladas, chás, sopas e até como ingrediente de alimentos industrializados (biscoitos, massas de macarrão e balas, entre outros). No Brasil, se depender do entusiasmo do agricultor Yukio Fukuda, de Londrina, a morféia se tornará a coqueluche das plantas medicinais assim que a população descobrir suas propriedades.
Alimento completo Fukuda, que é engenheiro agrônomo e produtor de soja em Tamarana, conheceu a planta através de um amigo, que tendo sido hospitalizado no Japão foi tratado com a erva, incluída na dieta na forma de sopas. Animado com os resultados, o amigo trouxe algumas sementes e forneceu ao agricultor, que se interessou pelo assunto e passou a pesquisar a planta na literatura japonesa. Isso foi há um ano, e de lá para cá ele tem se convencido, cada vez mais, das vantagens de consumir a morféia regularmente.
‘‘É um alimento tão completo que fortalece o organismo como um todo’’, resume Fukuda, que tem alguns pés plantados no jardim de casa e está reproduzindo em maior escala em sua chácara, onde já possui cerca de 400 plantas. Ele explica que a planta teria efeitos positivos nos tratamentos de pressão alta, arteriosclerose, diabete, osteosporose, anemia, controle de colesterol e câncer, entre outros. Por conter muita fibra, ainda é particularmente eficiente, segundo o produtor, na renovação da flora intestinal e no combate à prisão de ventre.
Betacaroteno Como se tudo isso não bastasse, a morféia ainda teria a peculiaridade de transformar betacaroteno (presente em grande quantidade nas suas folhas) em vitamina A. De acordo com as consultas feitas por Yukio Fukuda em literatura conseguida no Japão, a vantagem de consumir a vitamina A através de alimentos naturais é que, desta forma, o organismo só retém o que realmente necessita, o que não acontece com as vitaminas sintetizadas artificialmente, que podem causar um acúmulo indesejável no organismo.
O efeito da morféia sobre os radicais livres a transformaram, segundo o agricultor, em um poderoso remédio de cura e prevenção do câncer. Na opinião de Fukuda, os benefícios da planta são ‘‘incalculáveis’’. ‘‘No Japão já existem centenas de ‘clubes da morféia’. Lá, como não há muita terra disponível, as pessoas costumam plantá-la em vasos dentro de casa.’’
Ao que tudo indica, a espécie não apresenta grandes segredos de cultivo. ‘‘Deve ser semeada na primavera, produzindo até a chegada do inverno, quando ela seca naturalmente’’, explica o produtor. Ele afirma que a germinação ocorre sete dias após a semeadura.

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