Uma nova renda extra no Paraná
Jota Oliveira
A previsão é o ambientalista, assessor parlamentar e ex-jornalista Parreiras Rodrigues, fundador e presidente da Associação Paranaense de Produtores de Coco (Asparcoco) e vice-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Coco (Asbracoco).
Parreiras vem, há mais de quinze anos, divulgando a idéia de que cultivar coqueiro é uma atividade viável no Paraná, como já se comprova em outros lugares longe das praias do Nordeste. O coco-da-bahia (Cocos nucifera L.) é cultivado em Estados onde até há poucos anos era considerado planta exótica, como São Paulo, e vem sendo introduzido, além do Paraná, em Mato Grosso do Sul e Goiás. Espírito Santo e Rio de Janeiro são outros Estados produtores, fora do Nordeste. No Paraná, o principal centro difusor da cocoicultura eh Santa Isabel do Ivaí, na região de Paranavaí, onde foi criada a Asparcoco.
O Noroeste do Paraná tinha apenas coqueiros isolados, em quintais, chácaras, sítios e fazendas, como plantas ornamentais. Parreiras constatava que esses coqueiros produziam bem, embora sem receber nenhum trato especial. Ali poderia estar uma fonte de renda extra mais em pequenas propriedades aque já tiveram na cafeicultura sua principal fonte de renda. Recentemente o coco encontrou ali uma parceria promissora: a intercalação com o café adensado, também uma nova possibilidade de renda na região.
Difusão de tecnologiaSemana passada Parreiras Rodrigues concluiu a instalação, em Santa Isabel do Ivaí, de um viveiro para 20 mil mudas de coqueiros, que já encomendara no Nordeste do País. O viveiro, instalado num terreno cedido em comodato por 20 anos, pela Prefeitura, será a base de um centro de difusão da cultura do coco. Ali serão treinados técnicos que repassarão a tecnologia aos cocoicultores.
Sul-mato-grossense de Três Lagoas, Parreiras Rodrigues não tem formação técnica em agricultura, mas se especializou em coco. Até já publicou um livro (Coco-da-Bahia - uma Alternativa Agroindustrial e de Reflorestamento para o Noroeste do Paraná) e tem sido chamado para dar palestras em vários Estados. Ele prefere comprar mudas, em vez de sementes, para diminuir perdas e ganhar tempo. Se trago 100 sementes, aproveito 50, porque uma parte germina ee outras é descartada. Além disso, a semente leva de quatro a cinco meses para germinar, mais oito para ir para o campo. Se tenho a muda, o viveiro é apenas um local de transbordo.
O viveiro foi instalado em área de 40 x 50 metros quadrados; possui 16 canteiros de 30 x 1,40 m, para 800 mudas cada. As mudas são plantadas no espaçamento de 7,50 x 7,50 e, quando não chove, são irrigadas todos os dias, por aspersão.
Irrigação e approveitamentoA irrigação, explica Parreiras, aumenta a produtividade das plantas: Sem irrigação, consegue-se média de 100 frutas por pé. Isto dá cerca de R$6.000,00/ano, ao preço médio de R$0,30 por coco, no atacado. A irrigação dobra a produtividade e o faturamento do produtor. Além disso, antecipa a produção.
O coqueiro irrigado produz a partir dos dois anos de idade, em média, e o não irrigado leva de três a três anos e meio para produzir, porque a irrigação antecipa em um ano o início da frutificação.
No Nordeste, os produtores de coco separam um talhão para vender a fruta pela água (a polpa, mais fina, não é aceita pelas indústrias, que preferem o híbrido, e até importam para esmagar) e comercializam seis a sete meses depois. Outro talhão é reservado para vender castanhas para a indústria, de oito a dez meses mais tarde. O coco que não for vendido para água ou castanha para indústria, é deixado no pé, para secar e virar semente. Do coco não se perde nada, salienta o ambientalista.
A colheita do coco é mensal. A cada mês, colhe-se um cacho com 10-12, até 15 frutas. Portanto, todo mês tem uma renda para o produtor. A muda custa no Noroeste do Paraná R$3,00. A Asparcoco dá orientação sobre plantio e condução da lavoura, e assistência técnica por tempo indefinido.
Existem no Paraná cerca de 700 ha de coco-da-bahia, mas a plantação está dispersa em muitas pequenas propriedades. Os plantios ocupam em geral de meio a 1 hectare. Os municípios de Altônia, Pérola, Iporã e Xambrê são os principais produtores. Em Mandaguaçu (região de Maringá) existe um centro de difusão. Em Primeiro de maio e Sertanópolis (região de Londrina, no Norte do Estasdo), a Emater experimenta coco com café adensado na terra roxa.
A área no Estado poderia ser maior, porém os bancos não financiam, porque não se trata de cultura tradicional no Paraná. É necessário a pesquisa referendar o coco como uma lavoura viável. Até lá, tudo - do custeio ao investimento - tem que ser feito com recursos próprios dos lavradores. O plantio de coco está liberado há três meses, no Estado, mas apenas nas reservas legais.
Geada, pragas, doençasParreiras vai plantar mudas de coco logo agora, no inverno. Ele afirma que geada não mata coqueiro. Mata a safra que estiver no pé, mas em três meses recomeça a produção, e ainda tem mais nove meses para produzir no ano-safra. Além disso, o frio controla pragas e doenças. Entre as pragas, a lagarta (mandorová), ácaros, broca-do-coqueiro (a praga mais importante do coco no Estado); entre as doenças, as causadas por fungos e nematóides.
Sempre procuramos incutir na agricultura o tratamento biológico, usando o químico no mínimo, diz Parreiras. Ele afirma que no Nordeste gasta-se no controle de pragas o dobro do que se gasta no Noroeste do Paraná. Então, se perdermos três meses de safra pelo frio, lá eles perdem mais com as pragas e doenças.
IntercalaçãoPode-se plantar coco no meio do cafezal de qualquer idade. Coco e café são um casamento perfeito. O ecologista explica: já aconteceu caso de café antigo que, depois do plantio do coco, devido à adubação, recuperou-se. A adubação de uma lavoura ajuda a outra. O coqueiro revigora os cafeeiros antigos, como acontece no Oeste paulista - Marília, Garça, Tupã, Dracena - onde tem muito coco.
No Sítio Santa Inês, José Francisco Dias tem 21 mil metros quadrados de café adensado, com 12.500 cafeeiros e 1 hectare (200 árvores) de coqueiros intercalados no cafezal, com espaçamento de 8 x 8 metros. José plantou em março e as plantinhas estão se desenvolvendo bem. Ele pensa em aumentar o plantio de coco, com lavoura solteira, numa área hoje com napier. Resolveu entrar no negócio quando ouviu palestra de Parreiras. Não se pode ter uma só atividade no sítio. Estou botando fé no coco, comenta. José irriga suas mudas de coqueiro com uma caneca. Quando está calor, a média é de 2 litros de água por dia.
No Litoral do Nordeste a média de produtividade é de 100 a 120 frutas por pé, e as indústrias da estão investindo em lavouras próprias. No ano passado somente São Paulo consumiu água de 2 milhões de coco. Em breve o Paraná poderá tomar uma parte desse mercado, porque na previsão de Parreiras Rodrigues, o Estado já será auto-suficiente em coco no ano 2002 ou 2003.
Luís Ferreira da Silva, dono de bar em Santa Isabel do Ivaí, vende coco com água há dois anos. Já chegou a vender 200 frutos no verão, a R$1,00. Compra a R$0,50.
- O coco tem futuro na região?
- Com certeza. Quem não plantou, está querendo plantar, responde o comerciante. Ele mesmo já revendeu 200 mudas de coco e tem encomenda para mais 800.O cultivo ainda está no começo, mas em 2002 ou 2003 o Estado poderá ser auto-suficiente em coco-da-bahia
ConfiançaParreiras Rodrigues acredita no coco como fonte extra de renda no NoroesteCanteiros preparados para receber mudas de coco, em Santa Isabel do IvaíJosé usa uma caneca para irrigar muda de coco, em lavoura de café adensadoDorico da SilvaLuís: o coco tem futuro no Noroeste do Paraná





