Uma nova praga ameaça o algodão
PUBLICAÇÃO
sábado, 14 de dezembro de 1996
Silvana Leão 
Um inseto ainda desconhecido pela maioria dos produtores está colocando em risco a produção de algodão do Noroeste, região que mais produz a fibra no Paraná. A broca-do-ponteiro (Conotrachelus denieri), como vem sendo chamada a nova praga, é originária da Argentina e foi favorecida, este ano, pelas condições climáticas do inverno (quente e úmido) naquela região do Estado.
O inverno sem geada favoreceu o aumento dos besouros em geral, como o bicudo, a broca-da-raiz e a broca-do-ponteiro, que encontraram muito alimento disponível. Os produtores devem estar atentos, alerta o pesquisador Walter Jorge dos Santos, da Área de Algodão do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). Ele explica que esta broca apareceu no Estado há cerca de três anos, mas não chegava a causar sérios danos, desde que fôssem feitas as destruições de soqueiras. Ainda não há muito material disponível sobre o assunto na literatura científica, porém acredita-se que existam no ambiente plantas que sirvam para a reprodução da praga.
De acordo com Walter Jorge, o fato do inseto atacar o lenho da planta dificulta a sua manipulação, e, consequente, as pesquisas sobre a sua biologia. De uma coisa, porém, não se tem dúvida: o prejuízo causado pela praga pode ser fatal para o cotonicultor que já enfrenta, há alguns anos, dificuldades com a cultura. As lavouras atacadas no Estado apresentam infestações que vão de 10 a 100%. Alguns produtores já tiveram que destruir suas plantações.
O problema se agravou, segundo ele, porque muitos cotonicultores não seguiram as recomendações da pesquisa, como plantio-isca com pulverização de inseticida (Folidol) duas vezes por semana, logo após a emergência das plantas, arranquio e queima das plantas infestadas. O jeito, agora, é contra-atacar com pulverizações sequenciais, na tentativa de salvar as maçãs do baixeiro, que são as mais importantes em termos de produção.
Momento oportuno Walter Jorge explica que a broca-do-ponteiro recebeu este nome por causa da forma como atua no algodoeiro: o inseto (besouro) começa o ataque, colocando os ovos nos ponteiros das plantas recém-emergidas, e em seguida as larvas penetram no interior do caule, formando neles galerias de cima para baixo. A maior parte das plantas atacadas com até 15 dias morre; as que sobrevivem se atrofiam, apresentam superbrotamento e os internós ficam curtos (plantas anãs).
As larvas permanecem no interior das plantas por aproximadamente 20 dias. Depois elas saem e penetram no solo, onde se transformam em crisálidas. Em seguida, elas se tornam besouro novamente, recomeçando o ciclo e reatacando as plantas que sobreviveram. Só que a esta altura os algodoeiros que restaram já estarão produzindo as maçãs, que se tornam os novos alvos de ataque do inseto, agravando ainda mais a situação.
Nos próximos 15 dias a maior parte das larvas que estão nas lavouras vão começar a dar origem a novos besouros. Assim que o produtor perceber a presença de insetos adultos na lavoura deve dar início, o mais rápido possível, ao combate com Folidol ou Hostation, recomenda o pesquisador do Iapar. Como todas as larvas não se transformam em besouros de uma só vez, as aplicações de inseticidas (três, em média) devem ser sequenciais, com intervalos de três a cinco dias entre elas, até que não existam mais larvas.
Trabalho difícil Os besouros são a única fase em que o produtor consegue fazer o controle da praga, explica Walter Jorge, lembrando que o melhor é controlá-la quando as plantas estão pequenas, pois depois que ela se instala no baixeiro, o trabalho de aplicação de inseticida fica muito difícil.
Mas é justamente este esforço que o produtor de algodão terá que fazer nas próximas semanas, regulando o seu equipamento de maneira que o inseticida atinja as partes mais baixas das plantas e proteja as maçãs que começam a se formar ali do ataque da broca. Esta é uma medida emergencial, que terá que ser tomada dentro de poucos dias. Não dá nem para esperar passar o Natal. O produtor que não quiser ter mais prejuízos deve estar muito atento, reforça Walter Jorge.
Além da broca-do-ponteiro, os algodoeiros do Estado estão sendo muito atingidos nesta safra (também em função das condições climáticas) pelo bicudo. Por isso, segundo o pesquisador do Iapar, a aplicação de inseticida, agora, ajudaria no controle das duas pragas.


