A monocultura pode ser bem lucrativa quando o preço de uma determinada cultivar está em alta. Contudo, além da monocultura ser nociva ao ecossistema, os preços agrícolas são flutuantes e dependem muito do humor do mercado, que sempre irá ditar se o produtor terá bônus ou ônus na hora da comercialização. A diversificação de culturas com soja, milho e trigo, que não é nenhuma novidade para os agricultores, é sempre uma saída, mas não é suficiente para garantir tranquilidade para o produtor.
Para aumentar ainda mais a segurança financeira das propriedades, além de buscar cultivos menos prejudiciais ao meio ambiente, muitos produtores estão descobrindo no sistema agrosilvipastoril uma boa oportunidade de produzir mais e melhor.
A integração Lavoura, Pecuária e Floresta (iLPF) é uma das técnicas ligada ao sistema agroflorestal - que une agricultura, pecuária e floresta - que está em expansão no Paraná. De acordo com Vanderley Porfírio da Silva, pesquisador da Embrapa Florestas, a presença adequada de árvores em uma produção agrícola ou pecuária garante benefícios econômicos e ambientais em uma propriedade.
Segundo ele, atualmente existem diversos sistemas de consórcios, sendo os principais: lavoura com floresta, lavoura com pecuária, pecuária com lavoura ou os três juntos, o que denomina a iLPF. O pesquisador avalia que o consórcio, seja ele qual for, sempre irá depender do objetivo do produtor. Ele garante que qualquer associação sempre trará algum tipo de vantagem se comparada ao plantio de uma só cultura.
No Paraná, por exemplo, a produção silvipastoril (pecuária + floresta) tem sido altamente rentável para muitos produtores. "Não existem milagres, mas sim benefícios com os consórcios", salienta o pesquisador. Segundo ele, pastagens arborizadas são protegidas contra efeitos climáticos adversos como a geada ou até mesmo tempestades, dependendo da sua intensidade. Além disso, depois da árvore "madura", o produtor garante uma renda extra com a comercialização da madeira.
O eucalipto é uma das variedades comerciais de árvore mais utilizadas no Estado, seguido do mogno e do cedro. Contudo, Silva observa que também há possibilidade de implantar espécies raras ou nativas da região, que possuem um valor comercial muito maior, apesar de demorarem bem mais para atingir o ponto de corte se comparadas a uma espécie exótica como o eucalipto.
Segundo Silva, com até três anos de idade é possível consorciar eucaliptos com a produção de soja ou milho. Ele completa que a partir dessa idade o sombreamento da área pode comprometer o bom desenvolvimento dos grãos. "Esse tipo de consórcio ainda está em estudo", complementa.

Agroecologia
Dentro do universo agroflorestal, a agroecologia, sistema que visa atender às necessidades do produtor sem prejudicar o meio ambiente, é uma delas. Carlos Eduardo Seoane, pesquisador da Embrapa Florestas, explica que o primeiro passo do sistema é saciar as necessidades do agricultor familiar em relação à sua subsistência e utilizar o excedente como uma fonte de renda.
Segundo Seoane, com a adoção de várias atividades consorciadas, exercidas em uma mesma área, o produtor terá uma diversidade de renda satisfatória. "Esse tipo de produção funciona por meio de venda direta, feiras, ou por meio de associações e cooperativas", completa. Além de fomentar a renda de pequenos produtores, o pesquisador da Embrapa destaca que o sistema agroecológico ajuda esses agricultores a recuperarem suas Reservas Legais (RL) ou mesmo suas Áreas de Proteção Permanente (APPs).

Leia também:

- Diversificação com árvores aumenta produtividade de gado leiteiro

- Programa ABC traz bons resultados para o Paraná

- Iapar pesquisa consórcio entre café e seringueira

- Cooperativas apoiam a inclusão agrosilvipastoril

mockup