CombateA mosca-branca é uma das pragas que podem ser combatidas com os inibidores de crescimentoNos últimos três anos, aumentaram no Brasil os registros comerciais de um tipo de inseticida para hortaliças que ainda não apresenta qualquer tipo de resistência por parte dos insetos. São os chamados reguladores de crescimento de insetos (RCI’s), também conhecidos por inseticidas fisiológicos.
Estes produtos atuam nos processos de troca de pele (ou muda) de determinadas pragas, como os lepidópteros (borboletas e mariposas, entre elas a traça do repolho, a lagarta do cartucho e a traça do tomateiro), os homópteros (mosca-branca, cigarrinha e cochonilhas) e os dípteros (moscas ou larvas minadoras, que fazem galerias nas folhas, principalmente em culturas como batata, tomate, melão e melancia). Ao serem ingeridos pelas larvas, os inseticidas alteram seu sistema hormonal, inibindo a formação e a deposição da quitina (componente da cutícula ou pele do inseto).
A quitina é muito importante para a sobrevivência daquelas pragas, pois constitui sua envoltura externa e tem funções vitais de proteção contra perda de água, estabilização, sustentação e movimentação do corpo das larvas e insetos. Existem atualmente no mercado brasileiro sete inseticidas comerciais do tipo inibidores do crescimento. Segundo levantamento feito por pesquisadores da Embrapa - Hortaliças, em Brasília (DF), a cultura em que os custos de aplicação destes inseticidas são mais altos é o tomate (até R$ 60,00/ha, quando o problema são as pragas minadoras).
Arquivo FLO tomate é a cultura em que os custos de aplicação com o produto são mais altos: até R$ 60,00/ha
Efeito seletivo‘‘Além de desenvolver um tipo de ação que não apresenta, até agora, resistência por parte das pragas que atacam as hortaliças, os RCI’s são bastante seletivos e têm pouco ou nenhum impacto sobre os inimigos naturais dos insetos’’, observa o pesquisador Félix França, da Embrapa - Hortaliças. O centro de pesquisas estuda o produto há cerca de 10 anos, e no ano passado França apresentou trabalho sobre o tema - desenvolvido em parceria com a pesquisadora Marina Castelo Branco - no 1º Simpósio Estadual Sobre o Uso de Agrotóxicos em Hortaliças, em Tianguá (CE).
Segundo o pesquisador, os melhores efeitos com os reguladores de crescimento de insetos são obtidos quando usados em conjunto com inseticidas convencionais, pois a rotação aumenta a vida útil de ambos. Ele afirma que os RCI’s são especialmente recomendados para os programas de manejo integrado de pragas por associar eficiência de controle, prolongada proteção às plantas por seu efeito residual e comprovada seletividade, que favorece a preservação de espécies não nocivas às hortaliças.
Eficiência conhecidaNo Brasil, a eficiência agronômica dos inibidores de crescimento é conhecida há pelo menos 12 anos, quando foi lançado o primeiro produto do gênero. O impacto econômico e ambiental das marcas existentes no mercado, e de outras em desenvolvimento, estão sendo avaliadas no controle da mosca-branca, lagarta do cartucho, traça-das-crucíferas, traça-do-tomateiro, curuquerê-da-couve, traça-da-batata, broca-pequena-do-fruto-do-tomateiro e da broca-das-cucurbitáceas.
Segundo Félix França, a fase mais favorável para a aplicação do inseticida é aquela compreendida entre o início do período de vôo e acasalamento dos adultos e as primeiras oviposições. Em relação aos intervalos de aplicação, o pesquisador sugere que o produtor leve em consideração o tipo de praga a ser atingida, as condições climáticas e, principalmente, as recomendações do produtor, para que as chances de aparecimento de populações resistentes ao inseticida sejam reduzidas ao máximo.

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