Uma história de altos e baixos na cadeia

Numa propriedade de dois alqueires em Sertanópolis, uma família de seis pessoas sobrevive da avicultura. Uma história que começou em 2004 e que é prova de quantos altos e baixos a cadeia já passou nos últimos anos. Apesar dos números importantes para o agronegócio paranaense e volumes significativos de exportação, o produtor nunca teve vida fácil e já se acostumou com isso.
Diogo Sabino Trevisan mora com a esposa e duas filhas na propriedade. No negócio também está o irmão e o pai, que há 14 anos deixou um trabalho na cidade de São Paulo, se aposentou, e resolveu voltar para a terra natal. "Quando adquirimos a propriedade, ela já tinha um aviário e resolvemos continuar na atividade por aqui", explica Diogo.
Logo entre 2005 e 2006, o primeiro susto: a gripe aviária fez com que a família ficasse sem alojar aves por seis meses. A integradora não tinha animais para os produtores e, por outro lado, o consumo caiu drasticamente. "Aos poucos, retomamos a produção", relembra.

Nesse meio tempo, a família Sabino entrou numa montanha russa junto às integradoras. Viu a falência da Avebom, aves passar fome e comendo umas as outras devido à falta de ração, fórmulas de pagamento que remuneravam abaixo dos custos de produção até que há dois anos encontrou uma empresa que atende os anseios da família. "Mesmo assim relembro que em 2013 recebíamos em torno de R$ 1,10 por cabeça. Agora, em 2018, está em R$ 0,70. Só que há três anos eu pagava R$ 2,5 mil de energia e hoje pago R$ 5 mil".
Foi no melhor momento em 2013 que a família investiu no segundo aviário, de alta tecnologia com exaustores: um valor de R$ 500 mil. As atualizações das IN 08/2017, segundo Trevisan, acabaram trazendo mais despesas com o acerto do galpão antigo, que eles ainda precisam regularizar. "Teremos de trocar toda a forração e gastaremos de R$ 15 mil a R$ 20 mil. Além disso, cercamos o aviário e melhoramos a composteira. É algo que precisamos fazer, porque já investimos muito na atividade."
Ele também considera as alterações da IN necessárias e enxerga outros empecilhos para a atividade neste momento, entre eles a elevação dos custos, mão de obra e os gastos com energia como um todo. "A IN protege a gente para que não entre doenças, mas eu acho que passa um pouco da conta. Mas se não fizermos as mudanças, são 20 mil aves a menos que abrimos mão, o que significa menos renda para nossa família e para o município de Sertanópolis como um todo."
Sindiavipar: 'atendemos prontamente ao processo'
O Sindiavipar (Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná) reafirma que avicultura estadual atendeu prontamente ao processo de cumprimento da IN 08, o que naturalmente gera uma modernização da atividade. Segundo o presidente da entidade, Domingos Martins, apenas aqueles barracões mais antigos - que precisavam de reformas adicionais é que deixaram para a última hora. "Existe uma série de processos que antigamente não aconteciam, como cercar a granja dentro da propriedade e (instalar) o arco de desinfecção. São exigências que acho super válidas. Quanto maior a dificuldade de comunicação dentro da granja (isolamento), mais segurança aos produtores e às aves."
Para Martins, o granjeiro percebeu que a atividade está cada vez mais sendo realizada com seriedade. "Isso faz com que os resultados acabem sendo nítidos". Entretanto, ele concorda que o processo tornou-se caro para os avicultores. "Foi oneroso principalmente quando levamos em conta em que estágio estava cada granja. Mas temos que levar em consideração que estamos falando de modernização há muito tempo. Quem construiu (o barracão) mais recentemente já estava dentro da maioria dos parâmetros, exceto o arco e as cercas de isolamento. A grande questão que nesses casos o custo é o mesmo para um galpão de 5 mil ou 35 mil aves. Ou seja, quem tem um galpão mais antigo, teve dificuldades."
Questionado se atualmente a atividade remunera o suficiente para que o produtor tenha caixa para esses investimentos, Martins relata que tudo isso também auxilia na melhora da produtividade. "De um lado temos a integradora que fornece um pintainho de genética fantástica, uma alimentação (ração) fantástica e o que ele precisa fazer é dar uma ambiência boa às aves, com bom manejo e um habitat para o frango, que dessa forma o resultado vem."
Ele também cita a importância dos avicultores participaram, junto às integradoras, das Cadecs (Comissões de Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração) e, assim, entenderem melhor como está funcionando as exigências das empresas e pagamentos. "Ele precisa buscar as integradoras para que elas coloquem, de forma clara, as melhores estratégias para o integrado ganhar. No caso da avicultura hoje, a integração é bem diferente do passado, não depende de fatores climáticos e outras situações externas, depende exclusivamente do produtor. Aquele que era pequeno, naturalmente vai se tornar médio e investir, caso dependa essencialmente da atividade."
EXPORTAÇÃO
O Sindiavipar deve anunciar nesta segunda (22) os números fechados de crescimento da exportação da carne de frango paranaense de 2017. A expectativa é que valor da receita feche em pelo menos 10% superior ao ano anterior. Para 2018, as projeções se mantêm positivas. Com a esperada recuperação da economia, a avicultura paranaense deve apresentar um crescimento em torno de 4% a 6% tanto em produção quanto em exportação.





