Uma fazenda de abacaxi na terra da soja
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sábado, 22 de novembro de 2003
Célia Guerra <br>Reportagem Local 
Na cultura do brasileiro a ação de ''descascar o abacaxi'' remete sempre a situações complicadas, de difícil resolução. Por essa característica o abacaxi está se tornando também o símbolo do governo Lula, pelo menos na opinião do cartunista Chico Caruso, responsável pelo quadro de charges de um dos principais jornais televisivos.
Mas para quem cultiva o abacaxi, a realidade é bastante diferente. Produtores estão investindo na cultura animados com a produtividade e boa rentabilidade que a fruta oferece. Apesar do centro produtor se concentrar nos estados de São Paulo e Minas Gerais, a fruta está ocupando espaços também no norte e noroeste do Paraná.
Como é o caso do engenheiro agrônomo Anderson Itimura, que dedica parte da propriedade da família, em Sertaneja (63 km ao norte de Cornélio Procópio), para o cultivo do abacaxi desde 1996. Itimura conta que a área inicial era de 300 mil mudas (cerca de seis hectares). Atualmente a cultura ocupa mais de 70 ha, e deverá atingir 240 hectares nos próximos anos. ''A ampliação da área plantada depende apenas da produção das mudas'', revela.
Segundo o pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) Sérgio Luiz Colucci de Carvalho, o abacaxi não é uma cultura específica de solos fracos. ''A planta não tem restrições quanto a solos. Ela só não tolera terrenos encharcados'', afirma. O Iapar é responsável pelas pesquisas de implantação da cultura no Estado. Segundo o mapa de zoneamento agrícola do Iapar e Secretaria de Agricultura e Abastececimento (Seab), no Paraná as áreas aptas ao cultivo se localizam nas regiões Norte, Noroeste, parte do Oeste e do Litoral.
Anderson Itimura destaca que a região escolhida para o plantio da fruta possui solo misto e boa condição climática oferecida pelas represas formadas pelos rios Tibagi e Paranapanema. ''O microclima é excelente e sem o risco de geadas'', comemora.
Além das condições climáticas favoráveis, o Estado, de acordo com o pesquisador do Iapar, tem bom potencial de comercialização para o abacaxi. ''O Paraná importa 96% do abacaxi consumido aqui'', afirma. Há ainda, como opina, condições atingir mercados de países vizinhos, como a Argentina que busca a fruta em Minas Gerais.
Na safra passada na propriedade da família Itimura foram colhidos cerca de 700 mil quilos de abacaxi. A produção foi comercializada com uma rede de supermercados de São Paulo. Para a safra em andamento, Anderson diz que, para ter melhor rentabilidade, está abrindo outros canais de distribuição, como os supermercados de Londrina e região, e ainda Ourinhos e Assis (SP). ''pelo volume de produção temos que manter também a venda no Ceasa (Centrais de Abastecimento)''.
O custo de produção, de acordo com o pesquisador fica entre R$ 2,5 mil a R$ 5 mil o hectare. As mudas representam de 38% a 40% do custo de implantação. ''A tendência e que esse custo caia já na safra seguinte quando as mudas podem ser retiradas da propriedade'', garante. A recomendação é de 30 mil a 50 mil plantas por hectare. A produtividade é de um abacaxi por pé. Na safra passada os abacaxis estavam sendo comercializados a R$ 0,60 o quilo.


