Se existe produtores que, definitivamente, não têm muito o que comemorar nas últimas safras, são aqueles que ainda permanecem, corajosos, com pés de café na propriedade. Quando não são problemas relacionados à comercialização ou falta de mecanização das lavouras paranaenses, é o clima que chega com toda sua inconstância: ora estiagem, ora chuva na colheita e, para fechar esta semana, geada por todo o Estado. Oscilações que devem causar reflexos graves na safra 2016, gerando quebra de produção e diminuição da qualidade dos grãos, inclusive na região de Jacarezinho, área de mais destaque em todo o território paranaense.

A situação é a seguinte. Em março, quando a lavoura ainda estava se desenvolvendo, a estiagem e altas temperaturas provocaram o amadurecimento antecipado de algumas variedades, no momento que elas, de fato, precisavam de água. A primeira consequência foi a má formação do fruto, ficando menor do que o tamanho padrão e adiantando a maturação entre 30 e 60 dias. "Algumas variedades que estariam aptas para a colheita entre julho e agosto, como a Catuaí, IPR 100 e IPR 130, os produtores estão sendo obrigados a colher agora na região Norte" explica o engenheiro agrônomo do Instituto Emater especializado na cultura, Romeu Gair.

Os grãos agora maduros, pequenos e, algumas vezes secos, enfrentaram outra adversidade recentemente. As chuvas das últimas semanas dificultaram a colheita, deixando o café no pé mofado, ácido e deteriorando a qualidade da bebida. Em Londrina, são cerca de 120 pequenos cafeicultores e muitos estão passando por esta situação. "Outras variedades que seriam colhidas a partir de agora, como a Iapar 59, IPR 98 e Mundo Novo também estão sofrendo com a chuva", complementa o extensionista do Instituto Emater.

E rodando pelas lavouras da região, não é difícil encontrar grãos secos, pequenos e muitas vezes já no chão. É o que aconteceu na propriedade do pequeno produtor, Antonio Ângelo Vanzo, que possui uma área de um alqueire no patrimônio Espírito Santo e cinco alqueires em São Jerônimo da Serra, onde fez um financiamento para 20 mil mudas recentemente. Em ambos os locais, Toninho não conseguiu colher até agora e está perdendo toda a qualidade da sua safra. "Iria começar a colheita há duas semanas, mas não consegui devido às chuvas. O café que está no pé já azedou e está com muita umidade. Fora o que já está no chão. A qualidade vai ficar bem abaixo do que eu esperava e, sinceramente, ainda não sei o que será da produtividade", lamenta.

Na concepção do cafeicultor, a cada ano a atividade se torna mais complicada. "Não é por acaso que cada vez mais a cultura perde espaço para grandes lavouras de soja. E olha que eu ainda beneficio meu café para receber um preço mais justo. Mas não vejo uma melhora daqui pra frente", finaliza.

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