Uma colheita sem fila no Porto
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sexta-feira, 10 de outubro de 2003
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A direção do Porto de Paranaguá quer dobrar o volume de embarques de grãos da safra 2003/2004 especialmente soja, que começa a ser escoada nos meses de fevereiro e março, passando da média atual de 50 mil toneladas por dia para 100 mil t/dia. O objetivo é agilizar as operações portuárias para diminuir o tempo de espera dos caminhões e evitar as longas filas.
Embora tenha traçado essa meta, não há, ainda, planejamento de como operacionalizar esse acréscimo. Por meio de sua assessoria de imprensa, a superintendência do terminal informou que não serão feitos novos investimentos. Para ampliar a capacidade de embarque, o porto pretende apenas otimizar os equipamentos existentes. Os preparativos para receber a próxima safra só deverão começar em dezembro.
A expectativa dos transportadores é, de fato, que alguma providência seja tomada para evitar a extensa fila de caminhões na BR-277, sentido Curitiba-Paranaguá, no pico da safra, entre abril e maio. ''Nossa expectativa é que o fluxo melhore, embora governo e cooperativas tenham anunciado aumento na produção e exportação de grãos'', disse o presidente da Federação das Transportadoras do Paraná (Fetranspar), Sérgio Malucelli.
''Fila sempre vai ocorrer, mas tem que ser uma fila aceitável'', acrescentou ele, lembrando que este ano a fila chegou a atingir 120 quilômetros. Das 24 milhões de toneladas de grãos produzidos na última safra, 63% foram transportadas por rodovias.
Faep tem projeto - A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) e o Sindicato das Cooperativas do Paraná (Ocepar) elaboraram estudo que propõe melhorias na logística dos portos de Paranaguá e Antonina. Segundo o coordenador do trabalho, Luiz Antonio Fayet, as prioridades são dragagem e o enquadramento dos terminais nas novas exigências internacionais de segurança e qualidade.
Como obras adicionais, as entidades propõem melhorias nos sistemas de recepção e embarque. Segundo o levantamento, o porto tem capacidade estática de armazenagem de granéis sólidos de 1,2 milhão de toneladas. A capacidade média de embarque é de 70 mil toneladas/dia. ''Se tiver um sistema de recepção mais adequado e agilidade no sistema de embarque, é possível expedir pelo menos o dobro'', observou Fayet.
No ano passado, segundo Fayet, cerca de 28 milhões de toneladas (exportação e importação) transitaram pelo sistema portuário paranaense. A carga, comparou ele, é equivalente à capacidade de transporte de um milhão de carretas que, enfileiradas, cobririam uma distância estimada do contorno do território brasileiro e mais um quarto dessa distância.
Fayet projeta que, com as obras propostas, o sistema portuário Antonina/Paranaguá tenha um potencial de atingir um acréscimo de 5 milhões de toneladas.
O Plano Plurianual (PPA) do governo, no que diz respeito ao setor de transportes, para Fayet, foi uma grande frustração, pois contempla obras que ele não considera prioritárias como é o caso do Contorno Ferroviário de Curitiba. ''É uma obra cara e desnecessária'', criticou.
Já as obras de complementação dos trechos e eliminação dos ''gargalos'' da ferrovia que liga Ponta Grossa a Guarapuava, previstas no PPA, estão em sintonia com a proposta da Faep e Ocepar. Mas, além disso, as entidades defendem a continuação da extensão da linha férrea, ligando Cascavel a Guaíra.


