Uma ceia com a cara do Brasil
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sábado, 15 de dezembro de 2007
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - As frutas de época produzidas no Paraná são uma boa opção para fazer parte da mesa da Ceia de Natal. Pêssego, ameixa vermelha e nectarina são algumas das frutas mais utilizadas nas festas de fim de ano. O Estado também tem produção local de morango, uvas finas (itália e rubi), uvas rústicas ou niágaras (rosada e branca), maçã, banana e melancia. Nesta época, o Paraná inicia a safra da maçã eva, uma variedade desenvolvida pelo Iapar, que é colhida em meados de dezembro com produção, principalmente em São Sebastião da Amoreira, Porto Amazonas, Lapa e na Região Metropolitana de Curitiba.
A produção de frutas de caroço como pêssego, nectarina e ameixa está concentrada na Lapa e em Araucária. As uvas finas estão centralizadas em Marialva e as rústicas em todo o Estado mas, especialmente, no Sudoeste. O principal produtor desta variedade de uva é o município de Rosário do Ivaí, na área central do Estado. O morango tem a produção intensificada em São José dos Pinhais e Araucária e a banana no Litoral (com 40% do total), além da região oeste no entorno do lago de Itaipu e na região de Cornélio Procópio.
Segundo o engenheiro agrônomo Paulo Andrade, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura, que é responsável pela área de fruticultura, 37% do consumo de frutas está em Curitiba e Região Metropolitana. Por este motivo, grande parte dos produtores acabou se concentrando nesta região.
O Paraná conta hoje com uma área de 63 mil hectares de frutas, a maior parte perene, ou seja, plantada o ano todo, com exceção do morango e da melancia que são culturas refeitas a cada ano. O Estado produz 1,2 milhão de toneladas de frutas por ano em uma área aproximada de 61 mil hectares.
''Grande parte das frutas vendidas no Paraná vem de outras regiões do Brasil. Estamos ao lado de São Paulo que é o maior produtor de frutas do País'', diz. O Paraná também é abastecido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.
A fruta que tem maior volume de produção no Paraná é a laranja, que responde por 33% do total produzido, seguida da tangerina (16%), banana (17%), melancia (11%), uva (7%), maçã (3%), caqui (2%), pêssego (2%) e demais frutas (10%).
A uva é a fruta com maior participação no valor bruto da produção (VBP) e atinge o percentual de 22%. O VBP é o volume de produção comparado com o preço médio pago ao produtor. A laranja tem a segunda maior participação (19%), seguida do morango (8%), maçã (7%), melancia (7%), tangerina (7%), banana (6%), pêssego (5%) e demais frutas (19%).
O Estado conta hoje com 35 mil fruticultores. No entanto, Andrade alerta que para atuar na área é preciso capacitação, treinamento do produtor e da assistência técnica, organização em associações ou cooperativas e uso de tecnologia.
Apesar da boa produção, o consumo de frutas no Brasil ainda é muito baixo. Paulo Andrade cita a Pesquisa Orçamentária Familiar do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2005 que mostra uma redução no consumo em todo o País. No ano de 2005, o consumo per capita/ano foi de 24,5 kg, em 1995, era de 47 kg. ''A fruta é vista como um complemento alimentar e não como alimento'', afirma o técnico do Deral. Como comparação ele aponta o hábito de consumo de outros países, como a Espanha onde o consumo per capita/ano é de 120 kg, a Itália com 114 kg e na Alemanha 112 kg/pessoa/ano.
Andrade informa que há um projeto do Ministério da Agricultura para a produção integrada de frutas. É um conceito de acompanhamento mais racional da fruticultura visando o equilíbrio do uso de insumos químicos (agrotóxicos e adubos), respeito ao meio ambiente e boas condições de trabalho para o agricultor. O programa tem adesão voluntária.
O Brasil tem hoje 2,2 milhões de hectares de fruticultura e produz 41 milhões de toneladas ano. Desse total, 40,4 mil hectares de frutas estão no sistema de produção integrada, o que equivale a 1,1 milhão de toneladas. A maçã foi a principal fruta cultivada desta forma com 60% da produção neste sistema.


