Tradicionais produtores de soja e milho de Primeiro de Maio, no Norte do Paraná, estão diversificando a propriedade com manga, uma fruta de manejo relativamente fácil, colhida numa época (final do ano) em que as culturas tradicionais não exigem muito trabalho por parte do agricultor . Até agora 19 produtores optaram pelo cultivo, e ao todo serão quase 40 hectares de manga no município, transformando-o em pólo de produção da fruta na região.
Segundo o agrônomo do escritório da Emater em Primeiro de Maio, Augusto Edson Evangelista, o objetivo é oferecer uma opção de trabalho - e de renda - aos produtores numa época em que eles ficavam praticamente parados. ‘‘A Emater promoveu encontro sobre diversificação, quando já estavam definidos pelos participantes os assuntos que mais despertavam interesse. Em seguida, várias excursões foram feitas a outras regiões produtoras’’, explica.
Claudio Galera Utrera é um dos produtores que estão animados com as possibilidades oferecidas pela fruta. Ele diz que sempre achou muito complicado diversificar a propriedade; por isso acabava sempre plantando apenas soja e milho nos seus 22 hectares de terra. Hoje Cláudio não esconde a esperança depositada nos 6 hectares ocupados por manga e café adensado. ‘‘Com apenas mais dois produtos eu já tenho trabalho o ano inteiro. Com isso a gente se sente mais seguro, porque sabe que se uma cultura não der lucro, a outra pode dar’’, resume.
Custos O produtor plantou 315 pés de manga, das variedades palmer e tommy atkins, que também têm épocas de colheita diferentes (a palmer é mais tardia, e pode ser colhida até as vésperas da colheita da soja). Ele observa que praticamente todo o custo de produção é com a aquisição de mudas - entre R$ 200,00 e R$ 300,00 por hectare, que é praticamente o custo de um hectare de soja por safra. ‘‘A diferença é que um pé de manga produz, em média, durante 30 anos. Além disso, quase não há desgaste de máquinas com o manejo do pomar’’, diz Cláudio Utrera.
O fruticultor espera conseguir uma produtividade média de 12 caixas por pé ao ano (aproximadamente 240 quilos). Como o menor preço atingido na última safra foi R$ 7,00 a caixa, ele calcula que com apenas uma caixa por pé já conseguiria uma renda duas vezes maior que a proporcionada pela soja, por hectare cultivado. Os produtores do município pretendem vender a produção - que estará chegando no mercado daqui a quatro anos - em Londrina e no Sul do Estado. ‘‘E quem sabe um dia fazer parte do Mercosul’’, planejam.
Plantio O sistema de plantio adotado por alguns produtores é o adensado, que permite aproveitar melhor o terreno nos primeiros anos de produção. ‘‘Como a manga começa a produzir comercialmente no quarto ano e só atinge o pico de produção lá pelo oitavo ano, a gente planta num espaçamento menor, de 10 m x 5 m (o recomendado é 10 x 10), e depois arranca alguns pés, se for preciso’’, explica o produtor Sidnei Batista Estrada.
Sidnei plantou pouco mais de 200 pés, das variedades palmer e tommy atkins, numa área que antes era usada para o cultivo de tomate. A exemplo de outros produtores, ele também vai investir no café adensado, destinando um hectare da propriedade à cultura. Somados ao tomate (10 mil pés) e às duas granjas com 10 mil frangos, o café e a manga praticamente fecham o esquema de diversificação da propriedade da família, de quase 5 hectares. ‘‘Mas ainda sobra um espaçozinho para o abacate’’, brinca o agricultor, que só vê vantagens em fugir da monocultura.

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