Uma boa opção para diversificar
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de novembro de 1996
Silvana Leão 
Tradicionais produtores de soja e milho de Primeiro de Maio, no Norte do Paraná, estão diversificando a propriedade com manga, uma fruta de manejo relativamente fácil, colhida numa época (final do ano) em que as culturas tradicionais não exigem muito trabalho por parte do agricultor . Até agora 19 produtores optaram pelo cultivo, e ao todo serão quase 40 hectares de manga no município, transformando-o em pólo de produção da fruta na região.
Segundo o agrônomo do escritório da Emater em Primeiro de Maio, Augusto Edson Evangelista, o objetivo é oferecer uma opção de trabalho - e de renda - aos produtores numa época em que eles ficavam praticamente parados. A Emater promoveu encontro sobre diversificação, quando já estavam definidos pelos participantes os assuntos que mais despertavam interesse. Em seguida, várias excursões foram feitas a outras regiões produtoras, explica.
Claudio Galera Utrera é um dos produtores que estão animados com as possibilidades oferecidas pela fruta. Ele diz que sempre achou muito complicado diversificar a propriedade; por isso acabava sempre plantando apenas soja e milho nos seus 22 hectares de terra. Hoje Cláudio não esconde a esperança depositada nos 6 hectares ocupados por manga e café adensado. Com apenas mais dois produtos eu já tenho trabalho o ano inteiro. Com isso a gente se sente mais seguro, porque sabe que se uma cultura não der lucro, a outra pode dar, resume.
Custos O produtor plantou 315 pés de manga, das variedades palmer e tommy atkins, que também têm épocas de colheita diferentes (a palmer é mais tardia, e pode ser colhida até as vésperas da colheita da soja). Ele observa que praticamente todo o custo de produção é com a aquisição de mudas - entre R$ 200,00 e R$ 300,00 por hectare, que é praticamente o custo de um hectare de soja por safra. A diferença é que um pé de manga produz, em média, durante 30 anos. Além disso, quase não há desgaste de máquinas com o manejo do pomar, diz Cláudio Utrera.
O fruticultor espera conseguir uma produtividade média de 12 caixas por pé ao ano (aproximadamente 240 quilos). Como o menor preço atingido na última safra foi R$ 7,00 a caixa, ele calcula que com apenas uma caixa por pé já conseguiria uma renda duas vezes maior que a proporcionada pela soja, por hectare cultivado. Os produtores do município pretendem vender a produção - que estará chegando no mercado daqui a quatro anos - em Londrina e no Sul do Estado. E quem sabe um dia fazer parte do Mercosul, planejam.
Plantio O sistema de plantio adotado por alguns produtores é o adensado, que permite aproveitar melhor o terreno nos primeiros anos de produção. Como a manga começa a produzir comercialmente no quarto ano e só atinge o pico de produção lá pelo oitavo ano, a gente planta num espaçamento menor, de 10 m x 5 m (o recomendado é 10 x 10), e depois arranca alguns pés, se for preciso, explica o produtor Sidnei Batista Estrada.
Sidnei plantou pouco mais de 200 pés, das variedades palmer e tommy atkins, numa área que antes era usada para o cultivo de tomate. A exemplo de outros produtores, ele também vai investir no café adensado, destinando um hectare da propriedade à cultura. Somados ao tomate (10 mil pés) e às duas granjas com 10 mil frangos, o café e a manga praticamente fecham o esquema de diversificação da propriedade da família, de quase 5 hectares. Mas ainda sobra um espaçozinho para o abacate, brinca o agricultor, que só vê vantagens em fugir da monocultura.


