Uma amostra do poder da genética
Não é por caso que a Expocop 2010 está batendo na tecla da tecnologia. José Roberto Hofig Ramos, presidente da SRRCP, possui uma propriedade de 600 alqueires localizada no município de Nova Fátima, próxima a Cornélio Procópio, considerada um núcleo de genética superior. A propriedade envia animais melhoradores - os que possuem as características ideais - para o gado comercial, na fazenda do Mato Grosso.
Todo esse cuidado com o rebanho não é recente. Há 30 anos, o avô de José Roberto já selecionava os animais que considerava ideais. ''15 anos atrás ingressamos no programa de melhoramento genético da Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores (ANCP), de Ribeirão Preto, que possui cerca de 450 mil cabeças de gado cadastradas'', relata Hofig.
A fazenda de Nova Fátima é onde se faz o melhoramento genético em animais muito bem colocados no ranking da ANCP. Nesse ranking, são avaliados por volta de 15 itens que provam que os animais estão entre os melhores do Brasil. Através de fertilização in vitro ou coleta de embriões, esses animais são multiplicados. ''Nós filtramos e multiplicamos os melhores indivíduos, que serão inseridos no gado comercial, numa outra fazenda localizada no Mato Grosso'', conta Rubens César da Silva, veterinário de Hofig na propriedade.
Com esse trabalho, Hofig consegue resultados expressivos, como a diminuição do tempo de abate do gado - de cinco anos para cerca de dois anos e meio - e a diminuição da idade para a monta na fêmea, que antes era feita com quatro anos e hoje é com apenas dois. ''Todo ano, partem para o Mato Grosso por volta de 80 touros para a estação de monta, que vai de novembro a março'', diz Fábio Segabinazzi, veterinário do criador nas propridades do Mato Grosso.
Com toda essa otimização no abate e reprodução do rebanho, o faturamento acaba sendo bem maior comparado com quem não aplica técnicas de melhoramento genético. ''São três linhas que enfatizamos: fertilidade (fêmeas ferteis com habilidade materna), precocidade (abater os animais mais cedo) e acabamento de gordura'', cita Hofig.
Ele comenta ainda que os pecuaristas estão começando a entender que boi no pasto não é sinônimo de lucratividade. ''O importante é abater esse rebanho o mais cedo possível. A cada seis meses que o boi continua na fazenda, mais capital que se perde. Na minha concepção, caro é não ter produtividade'', sintetiza José Roberto Hofig. (V.L.)





