Uma ameaça que retorna
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 21 de março de 2003
Ágide Meneguette 
O País está saindo de uma crise e precisa desesperadamente crescer para criar empregos e combater a pobreza. Como pano de fundo há a ameaça de uma guerra no Iraque com repercussões no mundo inteiro e que poderá prejudicar o esforço que está sendo feito em nosso país para reverter uma situação que ainda é crítica. Como a guerra é um dado fora de nosso alcance, cabe a nós tentar o conserto do país com as variáveis das quais dispomos.
Além de uma política macroeconômica sensata, o que está ao nosso alcance é produzir para atender o mercado e aumentar as nossas exportações para reduzir as nossas contas externas, um dos pontos mais frágeis da economia brasileira.
Mas para produzir é preciso ter um ambiente interno favorável. O governo vem tentando criar este ambiente através de algumas reformas que deixaram de ser feitas no passado recente, mas que agora se tornam inadiáveis.
Por tudo isso é com tristeza e apreensão que assistimos, neste momento, à volta das invasões de propriedade e à ameaça de mudanças nas regras da reforma agrária, toldando perigosamente o ambiente na área rural. Quando tudo parecia caminhar para soluções pacíficas, os invasores de terras retomam a sua faina de conturbar a ordem democrática, invadem ou ameaçam invadir fazendas e prédios públicos.
Essa pressão intolerável do MST está provocando uma contrapartida da parte de alguns fazendeiros, com a contratação de milícias armadas para defender suas propriedades. O medo dos proprietários é procedente em face da movimentação do MST, mas extremamente perigoso para eles mesmos. Num regime democrático e de direito não se pode agir à margem da lei, mesmo que os remédios legais disponíveis demorem a surtir efeitos e seja exasperante e doloroso ver seus bens se tornarem indisponíveis pela ação violenta de um movimento político.
Querer resolver à bala quando há o caminho da Justiça é a pior das soluções, porque só serve para exacerbar ainda mais os ânimos e agravar os conflitos, além de expor os proprietários que se utilizam das armas às penas da lei.
Mas, por outro lado, as autoridades têm a obrigação de evitar essas invasões e, quando as houver, cumprir rigorosamente os mandados de reintegração de posse e impor a lei, penalizando os invasores. Só assim os produtores podem dormir sossegados e evitar o desesperado uso das armas.
Os grupelhos que invadem propriedades e querem conturbar a área rural, a pretexto de combater o latifúndio, laboram não só contra a sociedade, mas apostam no fracasso da própria administração do presidente da República.
Sem paz no campo não é possível repetir as grandes produções agropecuárias. O MST deve se democratizar e permitir que a reforma agrária se faça dentro da lei, sem invasões e sem violência. Os produtores rurais, por sua vez, não podem pensar em revidar à bala as investidas dos invasores. Mas, convenhamos, para isso as autoridades precisam garantir o direito da propriedade e o respeito à lei.
Ágide Meneguette é presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep)


