Uma administração inteligente
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sexta-feira, 02 de junho de 2006
Cláudia Barberato<br> Especial para a Folha Rural 
Campinas - A implantação de uma gestão ambiental na propriedade não significa apenas cumprir o que determinam as leis de proteção ao meio ambiente. Ela exige que o produtor elabore um plano de manejo de resíduos, para evitar contaminação da água e do solo, mas sobretudo traz uma nova maneira de administrar, com responsabilidade social.
O primeiro fruto disso é uma melhor qualidade de vida para o próprio agricultor. Ao proteger seus mananciais ele tem água mais saudável e pura. No manejo de resíduos há o aumento da biodiversidade local, diminuindo a incidência de pragas e doenças, e beneficiando o perfil econômico da atividade. As afirmações são do ecólogo José Maria Gusman Ferraz, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, com sede em Jaguariúna (SP).
''Ao produtor de soja compensa continuar produzindo a um custo mais elevado do que o mercado mundial está disposto a pagar? Quando se depende de apenas uma cultura, o risco de perdas por pragas e doenças e a flutuação do mercado fica muito maior, portanto, a lógica é diversificar seu sistema produtivo. Compensa continuar envenenando os alimentos, a água, os animais e a sua família? É por aí que começamos,'' questiona José Maria.
A aplicação de uma gestão ambiental em busca da sustentabilidade, segundo o pesquisador, depende de mudanças no atual sistema produtivo que rege a maioria das propriedades agrícolas no Brasil. ''Sustentável é você utilizar os recursos disponíveis na mesma velocidade em que são repostos na natureza.'' Segundo ele, dificilmente a maioria das propriedades hoje passaria ilesa por uma fiscalização do cumprimento das leis ambientais, quanto mais estariam aptas a implantar uma gestão ambiental.
O primeiro passo, no entanto, sugere o pesquisador, é tentar produzir de forma agroecológica: depender o menos possível de insumos externos à propriedade, integrar as atividades produtivas e não utilizar agrotóxicos. Caso utilize defensivos, avisa José Ferraz, o produtor, deve aplicar o manejo integrado de pragas. ''Os agrotóxicos, juntamente com os adubos, podem contaminar a água, o solo e o alimento.''
Outra prática importante é manter a diversidade de todos os tipos de cultura e de variedades entre cada cultura. Não plantar, por exemplo, apenas um tipo de milho, mas vários tipos. O produtor nunca deve pensar só em sua propriedade, mas no entorno. ''No mínimo, pensar em contexto de microbacia, pois toda a atividade que exercer irá influenciar o seu vizinho de baixo, assim como ele é influenciado pelo vizinho de cima''.


