As cooperativas foram responsáveis por US$ 2,3 bilhões das exportações paranaenses no ano passado, 6% a mais do que em 2015
As cooperativas foram responsáveis por US$ 2,3 bilhões das exportações paranaenses no ano passado, 6% a mais do que em 2015 | Foto: Theo Marques/17-07-2013


O sistema cooperativista abarca 13 ramos de atividades econômicas, dos quais dez com representantes no Paraná. Além da agropecuária, o Estado tem cooperativas de crédito, de saúde, de transporte, educacionais, de infraestrutura, de trabalho, habitacionais, de turismo e de consumo. São 221 entidades ativas que são responsáveis por 15% de toda a riqueza produzida localmente, com 1,4 milhão de cooperados, 84 mil funcionários e 3,5 milhões de paranaenses, ou quase um terço dos 11 milhões de habitantes, que dependem direta ou indiretamente desses negócios, conforme a Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar).

Não há cooperativas no Estado apenas das atividades de produção, mineral ou especial, que é para menores de idade ou pessoas que precisam ser tuteladas. A agropecuária é o ramo com maior número de entidades ativas, com 69, e foi responsável por R$ 56,9 bilhões de faturamento no ano passado.

Na casa dos bilhões de receita, aparecem ainda o segmento de crédito, com 56 cooperativas e R$ 6,9 bilhões em 2016, e a de saúde, com 33 e R$ 4,8 bilhões. Os dois ramos também apresentam forte crescimento em períodos de crise, justamente pela constituição do sistema.

O diretor executivo da Sicredi União, Rogério Machado, afirma que o segmento cresceu 700% na última década e que têm dobrado de tamanho a cada três anos. A principal vantagem, diz, são as taxas cobradas, 27% menores na média do que em bancos convencionais. "As financeiras privadas e públicas definem uma diretriz própria para todo o País na hora da recessão, mas a cooperativa analisa o micromercado local, que pode ter uma realidade e uma necessidade diferentes", explica.

O fato de a cooperativa ser voltada para a sustentabilidade do negócio do cooperado também é um fator que permite reduzir eventuais lucros frente à necessidade de crédito, sempre respeitando a saúde financeira da própria cooperativa. "Como o relacionamento é mais próximo, é possível fazer uma defesa melhor em cada análise de crédito", completa.

No sistema, as cooperativas também oferecem consultoria financeira para negócios, como no caso de necessidade de readequação de estrutura aos custos em períodos recessivos ou marketing. Em parceria com o Sebrae, o Sicredi dá a assessoria para 2,5 mil empresas no Estado. "Não é que damos o dinheiro para resolver o problema de fluxo de caixa, mas oferecemos todo o suporte para corrigir problemas no futuro", diz Machado.

Imagem ilustrativa da imagem Um terço dos paranaenses se relaciona a cooperativas



CREDIBILIDADE

Na saúde, o cooperativismo também traz vantagens. O presidente da Unimed Londrina, Oziel Torresim, afirma que a atividade apresenta diferenças para outras, já que é um serviço de primeira necessidade e altamente regulada pela Agência Nacional de Saúde (ANS). "A crise nos afeta, mas as cooperativas se mostram mais fortes e conseguem melhores resultados do que operadoras privadas com a união de cooperados em prol do bem comum."

Tanto em honorários como na divisão de sobras no fim do ano, Torresim, que também é médico cooperado, afirma que é possível conseguir valores maiores do que no mercado. Ainda, ele lembra que há aumento de associados em momentos econômicos ruins, principalmente entre aqueles que oferecem serviços de alta complexidade ou custo. Isso porque há redução da capacidade do paciente de pagar por tais exames nesses períodos. "O Brasil tem a maior experiência em cooperativas de saúde do mundo e sempre renova e melhora o sistema de gestão", diz o presidente da Unimed.

EXPORTAÇÕES

As cooperativas foram responsáveis por US$ 2,3 bilhões das exportações paranaenses no ano passado, um aumento de 6% em relação aos US$ 2,2 bilhões de 2015, conforme a Ocepar. O superintendente da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), Robson Mafioletti, afirma que o sistema também tem se voltado ao mercado internacional, com terminais próprios no Porto de Paranaguá, para armazenagem e direcionamento de soja, milho e farelo.

A participação das cooperativas no total da capacidade estática de armazenagem do Estado é hoje de 46%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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