Um remédio amargo e 'quase necessário'
A confirmação de sete focos de febre aftosa no Paraná foi um remédio amargo, mas ''quase necessário''. ''Foi uma lição dura, mas se não tivesse ocorrido (os focos) estaríamos pior'', afirma o virologista Amauri Alfieri, professor da Universidade Estadual de Londrina e consultor do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para encefalopatia espongiforme bovina (mal da vaca louca). A afirmação é baseada na queda dos recursos destinados às ações de vigilância que, em 2005 (ano da incidência da doença), chegaram a apenas 20% do volume existente no início da década.
''Não se faz vigilância sem recursos. Na verdade os técnicos já previam isso (os focos), principalmente nos chamados 'hot spot', os pontos de perigo nas fronteiras secas'', diz Alfieri. Segundo ele, pecuaristas e governos ''levaram um susto'' porque houve um relaxamento nas ações de sanidade. ''Os técnicos de fiscalização não saíam do escritório e a vigilância deve ser ativa e diuturna. Foi uma ecatombe (a confirmação da doença), mas também foi um despertar para a realização de ações conjuntas'', comenta.
A partir da doença as secretarias estaduais de Agricultura e o Mapa passaram a promover ações mais ostensivas nos chamados pontos de perigo. Também foram contratados mais funcionários e houve uma reestruturação da infraestrutura. ''Os reflexos foram bons dentro deste contexto. Não se pode relaxar com as ações de vigilância e isso foi melhorado a olhos vistos'', diz o professor. Na sua avaliação, a obtenção do status de área livre de aftosa sem vacinação dependerá da intensificação da vigilância, principalmente, em áreas problemáticas, como nas divisas com o Mato Grosso do Sul e com o Paraguai.
A conquista do título, segundo Alfieri, trará um bônus e um ônus pesado. Entre as vantagens está a conquista de mercados até então não atingidos, que pagam mais pelo preço da arroba, como o americano e o europeu. ''São países que definem os preços e que têm dinheiro para comprar e, por isso, pagam um preço maior pela tonelada'', comenta. Já entre o ônus, ele acrescenta que a vigilância terá que ser intensificada ainda mais porque a não vacinação torna o rebanho mais vulnerável.
''No rebanho em que a vacinação é feita sucessivamente, ao longo de vários anos, a imunidade é alta e, por isso, o vírus pode circular sem que os animais apresentem qualquer sinal clínico. Já se o vírus estiver presente em uma população sem imunidade não há como esconder'', explica Alfieri. (F.M.)





