Um projeto para o arenito Caiuá
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de fevereiro de 1997
Marcos Zanatta De Maringá 
Fotos: DivulgaçãoGanhoNo inverno o gado ganha no mínimo um quilo ao dia com a alimentação disponível
Foram instalados experimentos em Mandaguaçu e Umuarama, para a realização de dias-de-campo para mostrar como funciona a recuperação das pastagens com a introdução de culturais anuais no sistema de plantio direto. O objetivo do projeto é recuperar toda região do arenito, que ocupa 3,5 milhões de hectares no Noroeste paranaense. Trabalho no mesmo sentido já foi desenvolvido, com resultados positivos, na região dos Campos Gerais.
O professor Anibal de Moraes, especialista em produção animal da UFPR, diz que desde a colonização do Noroeste, na década de 50, o produtor só explorou o solo da região. Depois do ciclo do café veio a pecuária. São duas atividades que devolvem muito pouco à fertilidade do solo, comenta.
EmpobrecimentoA falta de uma exploração racional e de técnicas adequadas, além de empobrecer o solo, vem causando erosão na maioria das propriedades. O estrago só não é maior por causa da presença da grama mato grosso, afirma Moraes. Ele diz que apesar dos pecuaristas reprovarem a mato grosso, ela ajuda a segurar o solo.
O projeto da UFPR e Monsanto começa com a eliminação de toda vegetação. Para isso utilizamos o herbicida Roundup, que não deixa resíduo e permite a utilização da área imediatamente, sem riscos de danos ao meio ambiente, afirma Aroldo Irio Marochi, representante de Desenvolvimento de Produtos da Monsanto. Ele explica que, devido às características químicas, o produto atinge apenas a planta invasora.
A primeira cultura a ocupar a área será de soja ou milho, seguida de forrageiras de alta qualidade associadas a leguminosas na safra de inverno. O sistema já é utilizado e a novidade é o plantio direto, explica o professor de Agronomia da UFPR, Adelino Pelissari, especialista em controle de ervas daninhas e sistema produtivo. Ele explica que a cultura de verão vai garantir renda ao produtor, que hoje está descapitalizado, enquanto no inverno o gado terá alimento de qualidade.
GanhosNas áreas onde os técnicos introduziram o sistema, segundo Pelissari, a média de ganho de peso do rebanho chega a um quilo por animal ao dia. Nas áreas de pastagens, que são afetadas pelo clima no inverno, o bovino chega a perder de 200 a 300 gramas ao dia. Apesar do rendimento médio de um quilo ao dia ser alto, existe expectativa de ganhos ainda maiores, afirma Pelissari.
Cultura de verão é plantada em cima da grama da pastagem dessecada, evitando a erosão
Na safra seguinte de verão o produtor muda a cultura, podendo introduzir ainda algodão ou feijão. Como o solo na região de arenito não pode ser removido, o plantio direto, além de garantir a fertilidade do solo, previne contra a erosão, explica Pelissari. Outra vantagem do arenito, diz ele, é que o solo não apresenta riscos de compactação.
Em média, segundo Pelissari, o sistema deve ser explorado por cinco anos. Depois desse período, e com o solo totalmente recuperado, o criador pode introduzir o capim, e formar novamente uma pastagem perene. As propriedades, porém, devem ter a área disponível dividida em piquetes, para a introdução do sistema. Pelissari calcula que hoje apenas 20% do potencial produtivo da região Noroeste são explorados. Com a reforma desenvolvida pela UFPR em parceria com a Monsanto, ele garante que a pastagem vai garantir uma ocupação acima da média.
O sistema permite ainda uma melhora no fluxo de renda do proprietário, que terá mais uma alternativa nas lavouras e gado gordo na entressafra. Na região dos Campos Gerais, onde o solo é de baixa fertilidade, conseguimos com o projeto implantar uma das melhores agriculturas do Brasil, garante Pelissari. Ele quer agora que as técnicas cheguem a todos os proprietários dos 91 municípios da região de arenito.
Começa em março


