Marcos BorgesOsmar Musilli, especialista em solosDesde 1994 o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA, uma instituição governamental formada pelos países sul-americanos e do Caribe para trabalhos conjuntos na área de desenvolvimento agropecuário e ambiental), vem trabalhando no Programa Cooperativo de Investigação e Transferência de Tecnologia (Procitrópicos), também chamado Projeto Savanas, que identifica os principais problemas da degradação dos recursos naturais e da sustentabilidade da produção agrossilvipastoril nas regiões tropicais da América do Sul, e contribuir para sua solução.
Trata-se do estudo de aproveitamento econômico dos cerrados da Venezuela, Colômbia, Bolívia e Brasil, que formam uma barreira de 300 milhões de hectares em torno da Floresta Amazônica. Um dos objetivos do projeto é proteger a floresta da ocupação desordenada; outra meta é possibilitar a exploração de uma área que poderá duplicar a produção de alimentos no Brasil, onde estão 260 milhões/ha desses cerrados.
O engenheiro agrônomo Osmar Musilli, ex-pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), é consultor do projeto. Ele prevê que o levantamento de informações e a elaboração de propostas serão concluídos nos próximos três anos. Musilli garante que existe tecnologia - principalmente gerada no Brasil - suficiente para tornar os cerrados produtivos na agricultura e na pecuária, apesar dos solos muito ácidos e de baixa fertilidade predominantes naquela região. Especialista em solos, o pesquisador foi contratado pelo IICA em 1994, para atuar no projeto, e está à disposição da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), trabalhando principalmente na parte brasileira do Procitrópicos.
MusilliLavoura de Sorgo no cerrado boliviano
EscudoA área do Procitrópicos, ou Projeto Savanas, corresponde a aproximadamente 300 milhões de hectares, dos quais 260 milhões estão no Brasil. Uma área expressiva. Musilli diz que o projeto tem ‘‘dois ângulos de interesse’’: 1 - Preservação ambiental, já que as terras dos cerrados circundam praticamente toda a Bacia Amazônica e toda a Floresta Amazöônica; FN27>2 -Aspecto econômico, ‘‘porque somente no Brasil são 260 milhões de terras agricultáveis que poderiam ser exploradas por agricultura e pecuária mediante processos adequados de manejo de solo’’.
A respeito do primeiro enfoque (preservação ambiental), Musilli esclarece que a proposta é para, através do desenvolvimento sustentado daquelas terras, preservar ou conter um pouco o avanço sobre as áreas da Floresta Amazônica, cuja tecnologia de uso ainda é pouco desenvolvida.
MusilliO sistema viário da Amazônia é uma das preocupações dos técnicos
A região tem como grande limitação a fertilidade, porque é formada por terras ‘‘muito ácidas, muito pobres em nutrientes’’. Musilli ressalva que, por outro lado, ‘‘tem topografia excelente, tem condições físicas muito apropriadas’’. A primeira tarefa de Musilli e seus colegas envolvidos no Procitrópicos foi fazer um diagnóstico da situação, para conhecer a demanda e a oferta de tecnologia adequada ao manejo daquelas terras. Eles constataram que existe ‘‘bastante oferta’’ de tecnologia, ‘‘principalmente no Brasil, onde nos últimos 20 anos a Embrapa desenvolveu muita tecnologia para manejo dos solos do Cerrado’’. O que está faltando, observa o pesquisador, é maior acesso dos usuários a essa tecnologia.
ParceriaEstabeleceu-se a parceria entre os quatro países, em torno do projeto, no sentido de promover o intercâmbio de experiências como a recapacitação de técnicos locais, através de cursos. Alguns desses cursos já foram dados no Brasil. Um deles foi no Paraná, ‘‘justamente pelo grande avanço do Estado no manejo e conservação de solos’’. Foram dados cursos também em Goiás e Mato Grosso. Com isto montou-se um grupo de 15 profissionais dos quatro países, capacitados em torno de uma metodologia para validar toda a proposta tecnológica disponível.
MusilliA pecuária leiteira é uma das recomendações para as pequenas propriedades da região
Outro fruto da parceria foi a criação de uma rede de propriedades experimentais, em todos os países envolvidos. Nessas propriedades são feitas experiências, com a participação dos produtores e demais segmentos dos agronegócios, como indústrias de máquinas e insumos. As propriedades servem para comprovar a eficácia das tecnologias e também de base para a difusão do pacote tecnológico disponível.

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