Um pomar de oportunidades
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sexta-feira, 03 de junho de 2011
Ricardo Maia <br> <br> Reportagem local 
Com um mercado ainda em expansão, o Brasil já conquistou o status de maior produtor mundial de suco de laranja do mundo. De cada cinco copos consumidos da bebida no planeta, três são produzidos no País. A oferta é compatível, pois só na safra 2009/10 foram produzidas 397 milhões de caixas de laranja de 40,8 quilos cada uma, o que representa 50% da produção mundial. Desse total, 98% é exportado para todo planeta, direcionado principalmente para os Estados Unidos e Europa.
De acordo com o presidente executivo da CitrusBR, Crhistian Lohbauer, a média de produção dos pomares brasileiros nos últimos dez anos variou de 300 milhões a 400 milhões de caixas por ano. No Brasil, o estado de São Paulo corresponde a 80% da produção brasileira, mas o Paraná tem se mostrado com alto potencial produtivo. Segundo Lohbauer, o Estado tem crescido com uma citricultura de qualidade, principalmente porque é praticamente livre do cancro cítrico e greening, doenças que tiram o sono dos produtores paulistas e que já causaram muitos prejuízos para o setor.
A participação do Paraná no mercado de laranja cresce ano a ano. A safra 2011/12 começa a ser colhida nas próximas semanas e há boas expectativas. De acordo com Paulo Andrade, engenheiro agrônomo da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab), a área produzida neste ano é de 25,5 mil hectares e a produção estimada é de 700 mil toneladas. No ciclo passado foram produzidas 600 mil toneladas, em uma área de 20,2 mil hectares.
Andrade explica que uma das razões para o aumento da oferta de laranja foram as condições climáticas favoráveis, com temperaturas equilibradas e chuva na dose certa. Além disso, houve uma recuperação de preços, já que na safra 2009/10 ocorreu uma depreciação grave nos preços internacionais da commodity. No Paraná, o crescimento se destacou na região noroeste, sobressaindo as regiões de Paranavaí, Umuarama, Maringá, que junto com a área de Londrina correspondem a 76% da produção estadual, segundo o especialista da Seab.
Andrade aponta que 80% da fruta no Paraná é direcionada para esmagamento e 20% enviada para o mercado de frutas frescas. Mas o que torna o Estado um mercado diferenciado é o seu sistema de produção. Conforme Andrade, ao contrário da citricultura paulista, baseada em indústrias privadas, no Paraná o modelo cooperativista é uma ferramenta que une grandes e pequenos produtores. ''O Estado é o quinto maior produtor de laranja do País'', reforça.
O engenheiro agrônomo da Seab relembra que a citricultura estadual já passou por muitas dificuldades com doenças, principalmente com o cancro cítrico. ''Entre as décadas de 50 e 80 fomos proibidos de plantar no Paraná por causa da doença. Só a partir dos anos 80, que o Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR) estudou variedades resistentes à doença, a partir daí houve novamente um trabalho de implantação de citrus. A laranja é uma cultura recente, mas com grande potencial'', conclui.


